domingo, 30 de outubro de 2011

A CHACINA DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

Ocorrida em  23 para 24 de agosto de 1572     
      No livro, Recordações de Chico Xavier, de R.A. Ranieri, publicado pela Editora Fraterna, Ranieri conta que em visita a dona Esmeralda Bittencourt, residente no Rio de Janeiro, leu uma carta escrita pelo Chico e endereçada a ela, nessa carta, Chico contava que certa ocasião, se viu desprendido do corpo surgindo nas pedras das ruas de Paris. Sentiu como que saía das próprias pedras e se tornara uma menina de nove anos. Viu-se caminhando pela rua e entrou pelas portas de um palácio, subiu a escada, e, chegando a um salão, viu Catarina de Médici, o Duque de Guise, a Duquesa de Nemour e outra pessoa da qual não me lembro, mas que era filha ou filho de Catarina de Médici e discutiam o massacre a ser desencadeado da noite de São Bartolomeu. Catarina vacilava, mas a Duquesa de Nemour insistia com ela para que desse a ordem de massacre. Sob a influência e coação da duquesa, Catarina, de repente, embora contrariada e indecisa, deu a ordem e o massacre se realizou com a morte de milhares de protestantes.
       Segundo a carta, Chico Xavier revela que ele fora essa menina que assistiu à cena, e que Esmeralda Bitencourt fora a Duquesa de Nemour, que havia colaborado para que o massacre ocorresse. Diante dessas revelações, dona Esmeralda compreendeu o motivo dos seus sofrimentos e o porquê teve que perder quatro filhos em um desastre. O fato de Chico ter sido essa menina, demonstra uma ligação dele com os personagens da história, fato que justifica a grande amizade que nutria por dona Esmeralda, a qual cultivava por ele um grande carinho e colecionava tudo o que se referia a sua vida e que, nessa ocasião, já havia organizado quatro álbuns sobre Chico Xavier.
        A narrativa de Ranieri sobre essa particularidade da vida de Chico, tem consistência e credibilidade pelo fato de terem sido publicadas no período em que os personagens estavam vivos, ninguém de sã consciência ousaria inventar histórias que facilmente seriam desmentidas pelos envolvidos. Sem dúvida é um episódio que traz profundos esclarecimentos sobre as leis de causa e efeito, pois sabe-se que a maioria dos protestantes massacrados nessa fatídica noite de São Bartolomeu, era composta de jovens, e que, conseqüentemente, muitas mães perderam seus filhos amargando terrível sofrimento, nada mais justo do que os responsáveis viessem a experimentar o amargor desse sofrimento, como no caso de dona Esmeralda Bitencourt.
        Não existe consolo maior do que o conhecimento da verdade, saber o porquê sofremos representa uma poderosa mensagem convidando-nos à renovação e ao crescimento espiritual. Essa revelação fez mais bem à dona Esmeralda do que fariam centenas de mensagens psicografadas de seus filhos tentando reconfortá-la com notícias do mundo espiritual. Por isso entendemos que não devemos cultivar a idéia de apenas consolar a morte, mas sim esclarecê-la como parte integrante da verdadeira vida.
        Com certeza, os filhos de dona Esmeralda eram espíritos necessitados de vivenciarem uma morte violenta e prematura a fim de resgatarem a própria consciência, assim como ela necessitava de sofrer tal perda. É nesses dramas que devemos entender a grandeza da misericórdia divina nos proporcionando a valiosa oportunidade de retomarmos a paz que perdemos ao comprometer nossas consciências com atitudes desajustadas do amor e da fraternidade.
        Em um mundo de expiações e provas, como o nosso, esses dramas são comuns e necessários, pois estamos em regime reeducativo, caso contrário, estaríamos reencarnados em um mundo mais avançado, raros são os que estão aqui em missão, mesmo aqueles que passaram pela Terra com características de missionários, viveram no cursos de suas encarnações, alguns acontecimentos que se configuraram como expiação, ou seja, uniram o útil ao agradável: ao mesmo tempo que cumpriram uma missão, zeraram ou quase zeraram seus débitos com as leis divinas.
         Jesus afirmou: “ A caridade cobre multidões de pecados.”, nessa afirmação entendemos que a caridade pode cobrir alguns erros, mas não todos, pois, para certos crimes temos que nos submeter a pena de talião.
         Por outro lado, nesta narrativa, mais uma vez vemos confirmada a afirmação de Chico quando confidenciou, não só ao Ranieri, mas a vários amigos que a sua encarnação atual foi a primeira na condição masculina.

Nelson Moraes