sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Extensão da alma

“... Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento
da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria
Natureza é desconhecer a lei de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o
vosso livre-arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável
como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa...”
Ele se densificou moldado por nossos pensamentos, obras e crenças mais
íntimas.
Extensão da própria alma, ele é a parte materializada de nós mesmos e
que nos serve de conexão com a vida terrena.
Há quem o despreze, dizendo que todas as tentações e desastres morais
provêm de suas estruturas intrínsecas, e o culpe pelas quedas de ordem
sexual e pelos transtornos afetivos, esquecendo-se de que ele apenas
expressa a nossa vida mental.
Foi considerado, particularmente na Idade Média, como o próprio
instrumento do demônio, que impunha à alma, nele encarcerada, o
cometimento dos maiores desatinos e desastres morais.
Se cuidado e bem tratado, era isto atribuído aos vaidosos e
concupiscentes; se macerado e flagelado, era motivo de regozijo dos tementes
a Deus e cultivadores da candidatura ao reino dos céus. Essas crenças
neuróticas do passado afiançavam que, quanto maiores as cinzas que o
cobrissem e quanto mais agudas as dores que o afligissem, mais alto o espírito
se sublimaria, alcançando assim os píncaros da evolução.
Porém, não é propriamente nosso corpo o responsável pelas intenções,
emoções e sentimentos que ressoam em nossos atos e atitudes, mas nós
mesmos, almas em processo de aprendizagem e educação.
Nossos pensamentos determinam nossa vida e, conseqüentemente, são
eles que modelam nosso corpo. Portanto, somos nós, fisicamente, o produto do
nosso eu espiritual.
A crença em anjos rebeldes destinados eternamente a induzir as almas a
pecar, tira-nos a responsabilidade pelas próprias ações, e ficamos
temporariamente na ilusão de que os outros é que comandam nossos feitos,
atuações e inclinações, e não nós mesmos, os verdadeiros dirigentes de nosso
destino.
Corpo e alma unidos a serviço da evolução, eis o que determina a
Natureza.
Nosso físico não é apenas um veículo usável, mas também a parte mais
densa da alma. Não o separemos, pois, de nós mesmos, porque, apesar de
sua matéria ficar na Terra no processo da morte física, é nele que avaliamos as
sensações do abraço de mãe, do ósculo afetivo e das mãos carinhosas dos
amigos. Através dele éque podemos identificar angústias e aflições, que são
bússolas a nos indicar que, ou quando, devemos mudar nossa maneira de agir
e pensar, para que possamos percorrer caminhos mais adequados do que os
que vivemos no momento.
A lei divina não nos pede sofrimento para que cresçamos e evoluamos;
pede-nos somente que amemos cada vez mais. Cuidemos, pois, de nosso
corpo e o aceitemos plenamente. Ele é o instrumento divino que Deus nos
concede para que possamos aprender e amar cada vez mais.