domingo, 6 de novembro de 2011

VELHO ARGUMENTO

“E aduzindo ele isto em sua def esa, disse Fasto em alta voz: — Estás
louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar.” — (ATOS, CAPÍTULO 26,
VERSÍCULO 24.)
É muito comum lançarem aos discípulos do Evangelho a falsa acusação de
loucos, que lhes é imputada pelos círculos cientificistas do século.
O argumento é velhíssimo por parte de quantos pretendem fugir à verdade,
complacentes com os próprios erros.
Há trabalhadores que perdem valioso tempo, lamentando que a multidão
os classifique como desequilibrados. Isto não constitui razão para contendas
estéreis.
Muitas vezes, o próprio Mestre foi interpretado por demente e os apóstolos
não receberam outra definição.
Numa das últimas defesas, vemos o valoroso amigo da gentilidade, ante a
Corte Provincial de Cesaréia, proclamando as verdades imortais de Cristo
Jesus. A assembléia toca-se de imenso assombro. Aquela palavra franca e
nobre estarrece os ouvintes. É aí que Pórcio Festo, na qualidade de chefe dos
convidados, delibera quebrar a vibração de espanto que domina o ambiente.
Antes, porém, de fazê-lo, o argucioso romano considerou que seria preciso
justificar-se em bases sólidas. Como acusar, no entanto, o grande convertido
de Damasco, se ele, Festo, lhe conhecia o caráter íntegro, a sincera
humildade, a paciência sublime e o ardoroso espírito de sacrifício? Lembra-se,
então, das “muitas letras” e Paulo é chamado louco pela ciência divina de que
dava testemunho.
Recorda, pois, o abnegado batalhador e não dispenses apreço às falsas
considerações de quantos te provoquem ao abandono da verdade. O mal é
incompatível com o bem e por “poucas letras” ou por “muitas”, desde que te
alistes entre os aprendizes de Jesus, não te faltará o mundo inferior com o
sarcasmo e a perseguição.