sábado, 10 de dezembro de 2011

PRESENÇA DIVINA

Um homem, ignorante ainda das Leis de Deus, caminhava ao longo de
enorme pomar, conduzindo um pequeno de seis anos.
Eram Antoninho e seu tio, em passeio na vizinhança da casa em que
residiam.
Contemplavam, com água na boca, as laranjas maduras, e respiravam, a
bom respirar, o ar leve e puro da manhã.
A certa altura da estrada, o velho depôs uma sacola sobre a grama verde
e macia e começou a enchê-la com os frutos que descansavam em grandes
caixas abertas, ao mesmo tempo que lançava olhares medrosos, em todas as
direções.
Preocupado com o que via, Antoninho dirigiu-se ao companheiro e
indagou:
— Que fazes, titio?
Colocando o indicador da mão direita nos lábios entreabertos, o velho
respondeu:
- Psiu!... psiu!...
Em seguida, acrescentou em voz baixa:
- Aproveitemos agora, enquanto ninguém nos vê, e apanhemos algumas
laranjas, às escondidas.
O menino, contudo, muito admirado, apontou com um dos pequenos
dedos para o céu e exclamou:
— Mas, o senhor não sabe que Deus nos está vendo?
Muito espantado, o velho empalideceu e voltou a recolocar os frutos na
caixa, de onde os havia retirado, murmurando:
— Obrigado, meu Deus, por haveres despertado a minha consciência,
pelos lábios de uma criança.
E, desde esse momento, o tio de Antoninho passou a ser realmente outro
homem.

Pai Nosso/Meimei