domingo, 11 de dezembro de 2011

PRESENÇA

E Ele veio!
Multissecularmente aguardado como a esperança de Israel, ei-Lo que surge
no período em que a História repete as glórias de Péricles e o pensamento
cultiva as belezas, conquanto a barbaria comandasse homens e governos,
estabelecendo um marco nOvo para a contagem das Idades em relação ao
porvir.
Não que os tempos fOssem diferentes. Herodes, na sua jactância, não
passava de subalterno áulico de César, guindado à posição de relêvo graças à
impiedade de que se fazia instrumento. A política de dominação, em toda
parte, estabelecia a exploração do homem pelo homem e a opressão da fôrça
em detrimento do direito. A sociedade desvairava e o valor do homem eram as
suas posses transitórias. As ambições se avolumavam traçando as diretrizes
do poder e estiolavam as mais nobres florações do sentimento...
As artes e a cultura, porém, desabrochavam nesses dias, ensejando
maiores ideais na capital do Império que exportava conceitos de paz e beleza
não obstante o clangor da guerra e o aríete das arbitrariedades...
... E Ele veio!
A Sua presença assinalou de paz o período da nova Era. Não a paz
externa, lavrada em audaciosos conciliábulos e sustentada pela usurpação do
crime: Era uma aragem de ventura que penetrava os Espíritos e os pacificava
interiormente, predispondo-os ao amor.
Seu verbo manso e ameno, marchetado da severidade que dimana do
conhecimento da Vida e da Verdade, modificou a estrutura do pensamento
filosófico e social, desde então traçando nova pauta para as criaturas do porvir.
Perseguições e calúnias — miasmas dos pequenos homens de todos os
tempos — não Lhe diminuiram a grandeza do ensino nem a elevação do
serviço. E mesmo crucificado não foi vencido...
Submisso pela humildade excelsa nunca apareceu alquebrado, curvado
ante os contemporâneos.
Erecto esteve na Cruz, donde partiu para a Pátria Verdadeira, encitando-nos
a segui-Lo.
* * *
Ainda hoje Jesus é a esperança que se tornou realidade.
Israel desejava um Rei arbitrário e vingador.
A Humanidade tentou fazê-Lo dominador e cruel através dos séculos.
Israel aguardava e ainda espera um Enviado implacável no seu ódio de
raça e de ambição.
A Humanidade procurou torná-Lo senhor de todos, esmagando os
insubmissos e rebeldes...
Hoje também ainda é assim.
Jesus, porém, nestes dias de inquietação e desassossêgo, é a esperança
que domina os espíritos e a paz que penetra os corações.
O homem subjuga o homem, os governos se entrechocam no domínio das
armas, a fome ameaça e dizima milhões de vidas cada ano, as enfermidades
espalham pavores, a escassez de amor enlouquece, no entanto, neste clima

sócio-moral da atualidade, Jesus retorna e convida a outras cogitações.
Canta um nôvo e permanente Natal no burgo das almas da Terra que O
esperam.
Estado interior, Jesus é comunhão de alma para alma a emboscar-se nos
homens confiantes.
O Cristo amansa as paixões e suaviza as Inquietações da vida, fixando
naqueles que O conhecem os caracteres iniludiveis da Sua presença.
* * *
Sentindo a mensagem dEle no espírito que agora se volta para as coisas
elevadas da vida — após o cansaço e o desgôsto das investidas infrutíferas na
vivência da ilusão — não te permitas contaminar pelos fluídos maléficos dêstes
dias turbulentos. Movimenta os braços e atua na ação enobrecedora a
benefício dos que sofrem.
E, se ao te reclinares ao leito estiveres assinalado por alguma dor ou
desencantado por qualquer afronta, mergulha o pensamento na mensagem
dEle e busca escutá-lo no coração.
Fazendo o necessário silêncio interior, ouvirás a Sua voz em acalanto de
ternura e alento, encorajando-te para prosseguir, constatando que em verdade
Ele veio e demora-se ao teu lado, esperando, hoje como ontem, que o mundo
moral da Terra modifique o seu clima e haja paz perene entre todos os
homens, através dos teus sacrifícios desde agora.
*
Segui-me, e eu farei que vos torneis pescadores de homens”.
Marcos: capítulo 1º, versículo 17.
*
“Mas o papel de Jesus não foi o de um simples legislador moralista,
tendo por exclusiva autoridade a sua palavra. Cabia-Lhe dar cumprimento
às profecias que Lhe anunciaram o advento; a autoridade Lhe vinha da
natureza excepcional do Seu Espírito e da Sua missão divina”.