quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Vida Transitória

Tendo em vista a transitoriedade do corpo e a inevitabilidade da morte, vive, de maneira que possas partir, da Terra, livre e feliz.
O fenômeno biológico pode interromper-se subitamente, não te permitindo tempo para qualquer preparação.
Conduze-te de forma que, seja qual for o momento em que sejas convidado ao retorno, possas seguir sem amarras ou aflições desconcertantes.
Organiza bem os teus labores e compromissos, a fim de que outros possam levá-los adiante com tranqüilidade.
Regulariza as tuas atividades, liberando-te de temores ou remorsos futuros desnecessários. Enriquece-te com os tesouros do amor, enquanto podes, a fim de que disponhas de recursos para a viagem inevitável.
Há pessoas, que vivem no corpo, totalmente esquecidas da sua fragilidade como da sua breve duração.
Programam compromissos a distância, no tempo, distraídas da compulsoriedade da morte.
Parecem crer que o passeio orgânico é conquista que não se interromperá, demorando-se no cultivo das fantasias e ilusões que um dia as abandonarão em doloroso estado de desencanto. Outras existem, assinaladas por sofrimentos cessar, deixando-se dominar pela revolta e pela amargura, esquecidas de que, em breve, estarão liberadas.
Nada na Terra, é definitivo, mesmo no campo físico das aglutinações moleculares, já que todos os fenômenos aí se dão mediante sucessivas transformações.
No que diz respeito aos valores morais espirituais, a experiência corporal tem, por finalidade precípua, desenvolvê-los e ampliá-los, para a glória de cada ser.
Age com serenidade, buscando sempre solucionar os problemas e desafios com saldo positivo de paz.
Evita as atitudes ostensivas e os comportamentos prepotentes, que ferem sem ajudar, deixando mágoas e aborrecimentos.
Usa o tempo com propriedade, bem dividindo as horas, sem que te esqueças dos deveres de relevo na órbita espiritual.
Se queres, sempre podes produzir no bem.
Não te poupes, portanto, na ação da solidariedade, do esclarecimento, do amor.
Vida sem bondade, é como parasita explorador e pernicioso. Usa os dons íntimos, que te jazem latentes, e amplia-os em favor do progresso de todos.
Tua vida é exemplo para outras vidas.
Torna-a uma claridade no caminho daqueles que te seguem.
Ninguém passa incólume, insensível à presença de outrem. Deixa, em quem se acerque de ti, sinais de paz e de ternura, de amizade e de gratidão.
O tempo transcorrerá, inevitavelmente, de qualquer maneira.
Usa-o na construção da tua e da felicidade alheia.
Se dispuseres de oportunidade para aguardar a morte, faze-te exemplo de ânimo para aqueles que a temem ou a detestam, também encorajando os fracos e tímidos.
Se, entretanto, ela te chegar de improviso, recebe-a tranqüilamente, e segue, porque após a tua partida, com os teus exemplos bons, deixarás pegadas luminosas, como significando que por ali passou um coração afável que soube viver para a verdade e o amor.


  por Divaldo Franco, do livro “Celeiro de Bençãos”.