quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

LOUVADO SEJA DEUS

O velho André era um escravo resignado e sofredor.
Certo dia, ele soube que Jesus nos ensinara a santificar o nome de Deus
e prometeu a si mesmo jamais praticar o mal.
Se o feitor da fazenda o perseguia, André perdoava e dizia de todo o
coração: — Louvado seja Deus.
Se algum companheiro tentava-o a fugir das obrigações de cada dia,
considerando as injustiças que os cercavam, ele dizia contar com a Bondade
Divina, indicava o céu e repetia: — Louvado seja Deus.
Quando veio a libertação dos cativos, o dono da fazenda chamou-o e
disse-lhe que a pobreza e a doença lhe batiam à porta e pediu-lhe que não o
abandonasse. Todos os companheiros se ausentaram, embriagados de alegria,
mas André teve compaixão do Senhor, agora humilhado, e permaneceu no
serviço, imaginando que Deus estaria satisfeito com o seu procedimento.
O proprietário da terra, pouco a pouco, perdeu o que possuía, arruinado
pela enfermidade, mas o generoso servidor cuidou dele, até à morte, afirmando
sempre: — Louvado seja Deus.
André estava cansado e envelhecido, quando o antigo patrão faleceu.
Quis trabalhar, mas o corpo encarquilhado curvava-se para o chão, com muitas
dores.
Esmolou, então, com humildade e paciência e, de cada vez que recebia
algum pão para saciar a fome ou algum trapo para cobrir o corpo, exclamava
alegremente: — Louvado seja Deus.
Certa noite, muito sozinho, com sede e febre, notou que alguém penetrava
em sua choça de palha. Quem seria?
Em poucos instantes, um anjo erguia-se à frente dele.
Acanhado e aflito, quis falar alguma coisa, mas não pôde. O anjo, porém,
sorrindo, abraçou-o e exclamou:
- André, o nome de Nosso Pai Celestial foi exaltado por seu coração e
vim buscar você para que a sua voz possa louvá-lo agora no céu.
No dia seguinte, o corpo do velho escravo apareceu morto na choupana,
mas, sobre o teto rústico as aves pousavam, cantando, e muita gente afirmou
que os passarinhos pareciam repetir: — Louvado seja Deus!