sábado, 14 de janeiro de 2012

Viver com naturalidade

“... Vivei com os homens de vossa época, como devem viver os
homens...”
“... Fostes chamados a entrar em contato com espíritos de natureza
diferente, de caracteres opostos; não choqueis nenhum daqueles com os
quais vos encontrardes. Sede alegres, sede felizes, mas da alegria que dá
uma boa consciência...”


Viver “felizes segundo as necessidades da Humanidade” (1) é viver com
naturalidade, ou seja, participar efetivamente na sociedade usando nosso jeito
natural de ser.
Todos nós fomos abençoados com determinadas vocações, e o mundo em
que vivemos precisa de nossa cooperação individual, para que possamos, ao
mesmo tempo, desenvolver nossas faculdades inatas na prática social e
aumentar nossa parcela de contribuição junto à comunidade em que vivemos,
no aperfeiçoamento da humanidade.
Possuímos talentos que precisam ser exercitados para que possam
florescer, mas poucos de nós damos o real valor a essa tarefa. Esses mesmos
talentos estão esperando nosso empenho de “se dar força”, a fim de colocá-los
em plena ação no intercâmbio das relações com as pessoas e com as coisas.
Não podemos então olvidar que viver no mundo é “entrar em contato com
espíritos de natureza diferente, de caracteres opostos”, (2) reconhecendo que
cada um dá o que tem, vive do jeito que pode, percebe da maneira que vê,
admitindo que, por se tratar de tendências, talentos e vocações, todos nós
temos a peculiar necessidade de “ser como somos” e “estar onde quisermos”
na vida social.
Talentos são impulsos naturais da alma adquiridos pela repetição de
fatos semelhantes, através das vidas sucessivas. Vocação é a “voz que
chama”, palavra oriunda do latim “vocatus”, que quer dizer chamado ou
convocação.
Pelo fato de a Natureza ser uma verdadeira “vitrina” de biodiversidade
ou multiplicidade de seres, é que cada indivíduo tem suas próprias
ferramentas, úteis para laborar na lida social.
Todas as árvores são árvores, mas o pessegueiro não tem as mesmas
peculiaridades do limoeiro, nem o abacateiro as da mangueira. Por isso, cada
pessoa também se exprime em níveis diversos segundo as múltiplas formas
com que a Sabedoria Divina nos plasmou na criação universal.
Assim, todos somos convocados a “agir no social”, não com “um aspecto
severo e lúgubre, repelindo os prazeres que as condições humanas permitem”,
(3) mas felizes, fazendo uso de nossos potenciais e faculdades
prazerosamente.
Jesus de Nazaré vivia, à sua época, uma vida mística e distante da
sociedade?
O Cristo de Deus se integrava intensamente no social, “participando das
festas de casamento”, (4) “do relacionamento fraterno, amando intensamente
os amigos” (5) “Sem preconceito algum fazia visitas e tomava refeições em
companhia de variadas criaturas”, (6) percorrendo cidades, campos e estradas
sempre acompanhado dos amigos queridos e das multidões que O cercavam.
Em vista disso, devemos entender que as leis do Criador deram às
criaturas inclinações e aptidões íntimas e originais, para que elas pudessem
conviver entre si, oferecendo a cada uma participação também original na vida
comunitária de maneira “sui generis”.
Devemos, sim, viver no mundo com a consciência de que somos
espíritos eternos em crescimento e progresso, e de que o nosso ãnimo de
viver” em sociedade depende de colocarmos em prática as nossas verdadeiras
capacidades e vocações da alma.
Lembremo-nos, contudo, de que a palavra “ânimo” quer dizer “alma”, do
latim “animus”, e de que devemos, cada um de nós, “viver com alma” no círculo
social do mundo.