segunda-feira, 12 de março de 2012

Um ato de amor

Aquele era um dia dos mais felizes na vida de André.
Afinal, ele iria realizar seu grande sonho: mergulhar na piscina grande do clube.
Seu pai havia lhe prometido que, quando ele completasse cinco anos de idade, poderia entrar na piscina dos adultos. Na companhia do pai, é claro.
O pequeno André estava radiante naquela manhã ensolarada de domingo.
Ele e o pai chegaram cedo ao clube. E como o pai precisava fazer o exame médico, pediu ao filho que o aguardasse por alguns minutos.
Mas André, que não via a hora de pular naquele mar de águas azuis, tão logo o pai se afastou, correu para a piscina e mergulhou com vontade.
Foi só depois do mergulho que ele se deu conta de que aquela piscina não tinha fundo.
Acostumado com a piscina rasa onde sentia seus pezinhos firmes no chão, não desconfiava que a piscina grande era diferente.
Aqueles foram os segundos mais dolorosos da sua existência...
A água entrando em seus pequenos pulmões... Seus bracinhos frágeis tentando alcançar a superfície, respirar... Tudo em vão.
Ao redor, o silêncio...
André percebeu que não adiantava mais lutar... Resolveu parar de se debater e dormir...
Tudo foi ficando longe, a angústia passou e ele sentiu que uma mão iluminada se estendia na sua direção...
Percebeu, ao longe, um túnel de luz que o atraía...
Entregou-se àquele sono diferente... E nada mais percebeu.
Algum tempo depois André recobrou os sentidos, mas já não estava mais na água, estava no hospital...
Os pais, em desespero, vibraram quando ele deu os primeiros sinais de vida...
Os anos se passaram e André nunca esqueceu aquele episódio.
Na sua juventude, foi que seu pai lhe contou como ele havia sido salvo.
Um homem bom que passava pela piscina naquele dia distante, viu algo estranho no fundo da água e perguntou a outro homem, que também estava nas proximidades, o que era aquilo.
O outro disse que talvez fosse um desses garotos testando por quanto tempo poderia ficar sem respirar.
Mas o homem bom não se contentou com a resposta. Mergulhou imediatamente e descobriu o corpo do garoto, quase sem vida.
Retirou-o da água e constatou que seu corpo já estava todo roxo. Não podia perder nenhum minuto.
Começou ali mesmo os procedimentos para reavivar aquele corpinho inerte.
Com as técnicas adequadas conseguiu reativar seu coraçãozinho e o garoto foi levado às pressas para o hospital.
Mas o mais importante dessa história, foi o homem que salvou a vida de André.
Como ele sabia as técnicas exatas para efetuar aquele salvamento?
Na verdade essa habilidade lhe custou muito caro. Um dia ele viu seu filho pequeno morrer daquela mesma forma, porque não sabia o que fazer...
Com o coração dilacerado de dor, aquele pai prometeu a si mesmo que jamais deixaria alguém morrer na sua frente por falta de socorro.
Fez cursos e aprendeu todos os procedimentos para atendimentos de emergência.
E foi assim que ele conseguiu fazer com que o pequeno André recuperasse os sinais vitais e conseguisse chegar vivo até o pronto socorro.
Tudo porque aquele pai não se deixou abater pela dor. Pelo contrário, viu na dor um grande desafio.
O desafio de ser um agente de Deus junto aos seus filhos. O desafio de ser um agente do bem.
Um pai... Uma dor... Uma nobre decisão... Um grande exemplo.
E quanto a André? Terá feito jus a essa segunda chance recebida?
Sim, é claro! Hoje ele é o jovem pai de dois meninos. Seus pulmões foram poupados para que ele fosse um excelente saxofonista e alegrasse o mundo através da música.
Um garoto e seu sonho inocente... Um homem bom... Uma bela história...
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em uma história real.