terça-feira, 14 de agosto de 2012

ESTUDO DA PARÁBOLA

Comentávamos a necessidade da divulgação da Doutrina Espírita, quando o rabí Zoan
ben Ozias, distinto orientador israelita, hoje consagrado às verdades do Evangelho no
Mundo Espiritual, pediu licença a fim de parafrasear a parábola dos talentos, contada por
Jesus, e falou, simples:
- Meus amigos, o Senhor da Terra, partindo, em caráter temporário, para fora do mundo,
chamou três dos seus servos e, considerando a capacidade de cada um, confiou-lhes
alguns dos seus próprios bens, a título de empréstimo, participando-lhes que os
reencontraria, mais tarde, na Vida Superior...
Ao primeiro transmitiu o Dinheiro, o Poder, o Conforto, a Habilidade e o Prestígio; ao
segundo concedeu a Inteligência e a Autoridade, e ao terceiro entregou o Conhecimento
Espírita.
Depois de longo tempo, os três servidores, assustados e vacilantes, compareceram diante
do Senhor para as contas necessárias.
O primeiro avançou e disse:

- Senhor, cometi muitos disparates e não consegui realizar-te a vontade, que determina o
bem para todos os teus súditos, mas, com os cinco talentos que me puseste nas mãos,
comecei a cultivar, pelo menos com pequeninos resultados, outros cinco, que são o
Trabalho, o Progresso, a Amizade, a Esperança e a Gratidão, em alguns dos
companheiros que ficaram no mundo... Perdoa-me, ó Divino Amigo, se não pude fazer
mais!...
O Senhor respondeu tranqüilo:
- Bem está, servo fiel, pois não erraste por intenção... Volta ao campo terrestre e reinicia a
obra interrompida, renascendo sob o amparo das afeições que ajudaste.
Veio o segundo e alegou:
- Senhor, digna-te desculpar-me a incapacidade... Não te pude compreender claramente
os desígnios que preceituam a felicidade igual para todas as criaturas e perpetrei
lastimáveis enganos... Ainda assim, mobilizei os dois valores que me deste e, com eles,
angariei outros dois que são a Cultura e a Experiência para muitos dos irmãos que
permanecem na retarguada...
O Excelso Benfeitor replicou, satisfeito:
- Bem está, servo fiel, pois não erraste por intenção... Volta ao campo terrestre e reinicia a
obra interrompida, renascendo sob o amparo das afeições que ajuntaste.
O terceiro adiantou-se e explicou:
- Senhor, devolvo-te o Conhecimento Espírita, intocado e puro, qual o recebi de tua
munificência... O Conhecimento Espírita é Luz, Senhor, e, com ele, aprendi que a tua Lei
é obra dura demais, atribuindo a cada um conforme as próprias obras. De que modo usar
uma lâmpada assim, brilhante e viva, se os homens na Terra estão divididos por
pesadelos de inveja e ciúme, crueldade e ilusão? Como empregar o clarão de tua verdade
sem ferir ou incomodar? e como incomodar ou ferir, sem trazer deploráveis
conseqüências para mim próprio? Sabes que a Verdade, entre os homens, cria problemas
onde aparece... Em vista disso, tive medo de tua Lei e julguei como sendo a medida mais
razoável para mim o acomodar-me com o sossego de minha casa... Assim pensando,
ocultei o dom que me recomendaste aplicar e restituo-te semelhante riqueza, sem o
mínimo toque de minha parte!...
O Sublime Credor, porém, entre austero e triste, ordenou que o tesouro do Conhecimento
Espírita lhe fôsse arrancado e entregou, de imediato, aos dois colaboradores diligentes
que se encaminhariam para a Terra, de novo, declarando, incisivo:
- Servo infiel, não existe para a tua negligência outra alternativa senão a de recomeçares
toda a tua obra pelos mais obscuros entraves do principio...
- Senhor!... Senhor!... – chorou o servo displicente. – Onde a tua equidade? Deste aos
meus companheiros o Dinheiro, o Poder, o Conforto, a Habilidade, o Prestígio, a
Inteligência e a Autoridade, e a mim concedeste tão-só o Conhecimento Espírita... Como
fazes cair sobre mim todo o peso de tua severidade?
O Senhor, entretanto, explicou, brandamente:
- Não desconheces que te atribuí a luz da Verdade como sendo o bem maior de todos. Se
ambos lhes faltava o discernimento que lhes podias ter ministrado, através do exemplo,
de que fugiste por medo da responsabilidade de corrigir amando e trabalhar instruindo...
Escondendo a riqueza que te emprestei, não só te perdeste pelo temor de sofrer e
auxiliar, como também prejudicaste a obra deficitária de teus irmãos, cujos dias no mundo
teriam alcançado maior rendimento no Bem Eterno, se houvessem recebido o quinhão de
amor e serviço, humildade e paciência que lhes negaste!...
- Senhor!... Senhor!... porquê? – soluçou o infeliz – porque tamanho rigor, se a tua Lei é
de Misericórdia e Justiça.
Então, os assessores do Senhor conduziam o servo desleal para as sombras do
recomeço, esclarecendo a ele que a Lei, realmente, é disciplina de Misericórdia e Justiça,
mas com uma diferença: para os ignorantes do dever. A Justiça chega pelo alvará da
Misericórdia; mas, para as criaturas conscientes das próprias obrigações, a Misericórdia
chega pelo cárcere da Justiça.