domingo, 9 de setembro de 2012

INDIVIDUALIDADE APÓS A MORTE

A alma conserva a sua individualidade após a morte?
- Sim, não a perde jamais. O que seria ele se não a conservasse?
(“O livro dos Espíritos”, questão nº150)   
                                            Deus é único e não se confunde com os seres que cria – Está em tudo,
mas não se mistura a nada.
A individualidade Divina demonstra que a individualidade
humana é preservada, após o decesso do corpo de carne.
Neste sentido a concepção espírita diverge do budismo com sua
teoria de absorção da individualidade pelo todo universal; o
Nirvana espírita, se assim podemos nos expressar, não anula a
consciência individual do espírito que transcendeu a si mesmo...
Jesus dizia-se uno com Deus, no entanto em várias ocasiões
deixou clara a sua condição de filho e não de pai.
Quando veio à Terra, Jesus Cristo já era o que é, ou seja, espírito
diretamente responsável pela evolução do orbe terrestre.
Evidentemente que os espíritos redimidos, na faixa evolutiva em
que comungam, se identificam plenamente – Identificam-se consigo
mesmos, identificando-se com a criação, identificam-se com O
Criador. Esta condição os levam a esquecerem-se, unidos, se assim
podemos nos expressar, na pluralização ou pluralizados na união
com suas individualidades.
De qualquer maneira sempre sobrará espaço na vida mental do
espírito para que ele saiba quem é, mesmo quando isso para ele
nenhuma importância tenha mais
Vez ou outra, os espíritos inteiramente desposados de si, presos
ao arcabouço físico que transcendem, respiram sobre a Terra, sem
qualquer apego aos implementos materiais que lhes possibilitam
estar entre os homens. Francisco de Assis foi um desses luminares da
Espiritualidade, para os quais a condição física é um meio e não um
fim.
Ao contrário do que se apregoa, anseio de continuar sendo após a
morte não é uma atavio psicológico, engendrado pelo egoísmo; caso
perdesse a individualidade ao completar o ciclo de sua evolução
milenar, o espírito se candidataria a um eterno recomeço, de vez
que Deus “tira de si”. Equivaleria a chegar ao cume do monte e
tornar imediatamente abaixo, reiniciando exaustivamente a subida
– Convenhamos, esta é uma idéia tão absurda quanto á da não
criação.
É claro, e precisamos deixar isto em registro, que as concepções da
vida nas altas esferas nos escapam totalmente e, portanto, seria
perda de tempo nos entregarmos a elucubrações filosóficas sem
elementos para um mais aproximado juízo da Verdade.
Por outro lado, continuamos fraternalmente nos opondo a
quantos se arvoram em defensores da tese do nirvana Búdico: Por
que Deus nos criaria para a lucidez na dor, e inconsciência na
felicidade? Não seria a felicidade alcançada um estado de
consciência inalterável pelas lutas, finalmente, superadas na
suprema realização do ser?
Se a responsabilidade do Ser não se anula, por que a
responsabilidade de continuar sendo se anularia?
A individualidade Crística, a nosso ver, nos aponta Jesus como o
ponto máximo da evolução, em que a criatura esquece-se apenas
para ser ela mesma em sua identificação com o criador.