domingo, 7 de outubro de 2012

Não entendem

“Querendo ser doutores da lei, e não entendendo nem o
que dizem nem o que afirmam.”
Paulo (I Timóteo, 1:7)


Em todos os lugares surgem multidões que abusam da palavra.
Avivamse
discussões destrutivas, na esfera da ciência, da política, da
filosofia, da religião. Todavia, não somente nesses setores da atividade intelectual se
manifestam semelhantes desequilíbrios.
A sociedade comum, em quase todo o mundo, é campo de batalha, nesse
particular, em vista da condenável influência dos que se impõem por doutores em
informações descabidas. Pretensiosas autoridades nos pareceres gratuitos, espalham
a perturbação geral, adiam realizações edificantes, destroem grande parte dos
germens do bem, envenenam fontes de generosidade e fé e, sobretudo, alterando as
correntes do progresso, convertem os santuários domésticos em trincheiras da
hostilidade cordial.
São esses envenenadores inconscientes que difundem a desarmonia, não
entendendo o que afirmam.
Quem diz, porém, alguma coisa está semeando algo no solo da vida, e
quem determina isto ou aquilo está consolidando a semeadura.
Muitos espíritos nobres são cultivadores das árvores da verdade, do bem e
da luz; entretanto, em toda parte movimentamse
também os semeadores do
escalracho da ignorância, dos cardos da calúnia, dos espinhos da maledicência.
Através deles operase
a perturbação e o estacionamento. Abusam do verbo, mas
pagam a leviandade a dobrado preço, porquanto, embora desejem ser doutores da lei
e por mais intentem confundirlhe
os parágrafos e ainda que dilatem a própria
insensatez por muito tempo, mais se aproximam dos resultados de suas ações, no
círculo das quais essa mesma lei lhes impõe as realidades da vida eterna, através da
desilusão, do sofrimento e da morte.