terça-feira, 2 de outubro de 2012

O valor do serviço

O livro Jesus no lar contém algumas lições que Jesus ministrou no círculo mais íntimo dos seguidores da primeira hora.
Em uma delas, Filipe, velho pescador de Cafarnaum, enleva-se com as explanações do Cristo.
Então, começa a comentar a diferença entre os justos e os injustos.
Tudo com o propósito de destacar o valor da santidade na Terra.
O Mestre ouve calmamente e passa a narrar com bondade a seguinte história:
Certo fariseu, de vida irrepreensível, atingiu posição de imenso respeito público.
Passava dias inteiros no templo, entre orações e jejuns.
Conhecia a lei como ninguém.
Desde Moisés aos últimos profetas, decorara os mais importantes textos da Revelação.
Se passava na rua, as próprias crianças se curvavam, reverentes.
Consagrara-se ao Santo dos santos e fazia vida perfeita entre os pecadores da época.
Alimentava-se frugalmente, vestia túnica sem mancha e abstinha-se de falar com toda pessoa considerada impura.
Todavia, grande peste grassou em cidade próxima de Jerusalém.
Então, um anjo do Senhor desceu, prestimoso, a socorrer necessitados e doentes, em nome da Divina Providência.
Necessitava, porém, das mãos diligentes de um homem, através das quais pudesse trabalhar em benefício dos enfermos.
Lembrou-se de recorrer ao santo fariseu, conhecido da corte celestial por seus votos de perfeição espiritual.
Mas o devoto se achava profundamente mergulhado em suas contemplações de pureza.
Não lhe sobrava o mínimo tempo interior para entender qualquer pensamento de socorro às vítimas da epidemia.
Como poderia cooperar com o emissário divino, se evitava o menor contato com o mundo vulgar?
O anjo insistia no chamamento, mas a peste era exigente e não admitia delongas.
O mensageiro do céu afastou-se e recorreu a outras pessoas amantes da lei.
Nenhuma, entretanto, se julgava habilitada a contribuir.
Ninguém desejava arriscar-se.
Tendo em vista a necessidade que se fazia urgente, o enviado divino encontrou antigo criminoso que desejava se regenerar.
Através dos fios invisíveis do pensamento, convidou-o a segui-lo.
O velho ladrão, sinceramente transformado, não hesitou.
Obedeceu ao doce encantamento e votou-se, sem demora, ao ministério do socorro e da salvação.
Enterrou cadáveres insepultos, improvisou remédios, semeou o bom ânimo e aliviou os aflitos.
Com isso, conquistou sólidas amizades no céu, adiantando-se de surpreendente maneira no caminho do paraíso.

*    *    *
Os presentes registraram a pequena história, entre a admiração e desapontamento.
Foi então que o senhor Jesus explicou que a virtude é sempre grande e venerável.
Mas não deve se cristalizar à maneira de joia rara e sem proveito.
O amor cobre a multidão dos pecados e deve inspirar o serviço santificante.
Os pecadores laboriosos e convertidos ao bem encontram a companhia dos anjos muito antes dos justos ociosos.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 26, do
livro
Jesus no lar, pelo Espírito Neio Lúcio, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.