quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ORAR BEM

Como se explica que certas pessoas que oram muito são,
apesar disso, de muito mal caráter, ciumentas, invejosas,
implicantes, falta de benevolência e indulgência; que sejam
mesmo, às vezes viciosas?
- O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas julgam que todo
mérito está no cumprimento da prece, e fecham os olhos para os seus próprios
defeitos. A prece é para eles uma ocupação, um emprego do tempo, mas não
um estudo de si mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, neste caso, mas a
maneira de aplicá-lo.
(“O Livro dos Espíritos” questão nº660-a)

A oração não muda o homem que não revela predisposição para
mudar. A prece, quando não passa de um ato mecânico, não é mais
que um amontoado de palavras do qual, sem dúvida, o coração não
toma parte.
Infelizmente são muitos os que perdem o benefício das orações
que proferem, enquanto oram; não promovem avaliação de suas
próprias atitudes diante da vida. Oram como se as coisas e as
pessoas em torno é que tivessem que mudar e não elas na
intimidade de si mesmas; oram com numerosas lágrimas nos olhos,
mas recusam a verter o solitário suor da boa vontade; oram
acreditando mais no místico poder das palavras do que na força da
fé posta em movimento para a prática do bem aos semelhantes...
Se os momentos de oração fossem aproveitados pelo homem para
uma indispensável introspecção, os prodígios oriundos da fé lhe
seriam indefiníveis. Então em seus diálogos com o Criador, ele
haveria de vislumbrar caminhos e antever soluções.
Quantos, no entanto, passam longos dias em oração na
expectativa de uma bênção exterior, baseada na antiga concepção
do milagre? Quantos, porque oram, se julgam dispensados de fazer
acontecer, mediante colocar-se em condições receptivas para que a
graça Divina os alcance?
Diante da lei de Deus, palavras recebem palavras como respostas
e ação é correspondida com ação.
Mais do que evocar a influência positiva dos espíritos amigos aos
quais é endereçada a oração, quando feita com sinceridade, evoca
as forças que permanecem latentes no âmago do ser, alavancando
as criaturas para que elas se superem.
Portanto, orar bem não significa orar freqüentemente e nem tão
pouco orar com beleza e excesso de palavras; quem permanece o
tempo todo de mente ocupada o melhor que tem a fazer é estar em
contínua prece ao criador, porquanto a oração mais poderosa
independe de formulas e conteúdo...
A prece da caridade é um pedido protocolado junto aos tribunais
da Justiça Divina, solicitando deferimento favorável e imediato! É
que a atitude positiva e desinteressada em favor do próximo
desencadeia movimentos espontâneos de auxilio em sentido inverso,
conforme se encontra exarada nas luminosas páginas de “O novo
testamento”: - “Mais bem-aventurado é dar do que receber”.
A oração, pois, considerada inócua é a oração inoperante de quem
profere de braços cruzados, esquecidos de que a “fé sem obras é
morta” principalmente naqueles que não se dispõe, seja qual for a
sua crença religiosa, ao mínimo esforço de renovação.