sexta-feira, 5 de outubro de 2012

RELIGIÃO E INTERESSE

É reprovável praticar-se uma religião na qual não se acredita de
coração, quando se faz isso por respeito humano e para não
escandalizar os que pensam de outra maneira?
- A intenção nisto como em tantas outras coisas, é a regra. Aquele que não tem
em vista senão respeitar as crenças alheias não faz mal; Faz melhor do que
aquele que as ridicularizasse, por que faltaria com a caridade. Mas quem as
pratica por interesse ou por ambição é desprezível aos olhos de Deus e dos
homens. Deus não pode agradar-se daqueles que não demonstram humildade
perante ele senão para provocar a aprovação dos homens.
(“O Livro dos Espíritos”, questão nº655)



Infelizmente são muitos que se vinculam a esta ou àquela religião
por interesses de ordem material, dedicando-se à exploração
mercenária da fé; pregam para os outros as virtudes que eles
mesmos não se preocupam em vivenciar...
Corrompem-se tanto nas concessões que fazem a si, tolerando-se
excessivamente em seus equívocos, que acabam por desacreditar de
seus propósitos mais íntimos... Cavam com as mãos o abismo que
dificilmente lograrão escapar.
O respeito à opinião alheia, seja ela qual for, é característica dos
espíritos que atingiram um grau maior de maturidade, todavia
semelhante respeito não implica aceitar a mentira pela verdade,
cedendo em suas convicções por interesses subalternos em jogo.
O Cristo respeitou os que oravam no templo, mas não
contemporizou com os seus vendilhões...
Comparecer a um culto religioso em nome da fraternidade, sem
abdicar dos princípios éticos que norteiam a sua fé pessoal, é
incentivar o ecumenismo e dar exemplo de tolerância, somando o
homem esforços no combate ao materialismo que, sem dúvida,
prevalece dos conflitos entre os que não se entendem em termos de
crença para se propagar.
Quase sempre os interesses dos religiosos intolerantes, extrapolam
os interesses da religião. São outras as causas que não raro, os levam
a se tornarem arbitrários e violentos.
Os espíritos superiores, estejam no corpo ou fora dele,
compreendem que as mais diversas escolas religiosas, não passam
de diferentes caminhos para se chegar ao mesmo objetivo, desde, é
claro, sejam trilhados com coerência e colocando-se em prática o
amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo!...
O grande futuro mostrará ao homem que entre todas as crenças
religiosas, existem pontos de contato essenciais que eles permutam
em pacífica convivência e até mesmo certa unificação de princípios.
O que carece de ser combatido pelos espíritos nobres é o interesse
pelo poder e, conseqüentemente pelo dinheiro. A ambição leva o
homem a distorcer a verdade, tornando-o responsável por quantos
conseguem influenciar com suas artimanhas intelectuais em
referência aos textos sagrados, dando-lhes o colorido interpretativo
de seus interesses imediatistas.
Os lideres religiosos autênticos são os que lideram com suas
atitudes no bem de todos não os que assomam à tribuna com
brilhantismo e falam arrebatando platéias, sem que se disponham
a descer para servir, passando a viver eles mesmos sufocados pelo
universo da idolatria.