domingo, 4 de novembro de 2012

Renascimento

A vida morre ou se desestrutura nas moléculas que a expressam
para logo depois renascer. Tudo se decompõe e volta a reconstituir-
se.
O incessante fenômeno da transformação molecular é inerente
à condição de transitoriedade de todas as formas e coisas. Morre
uma expressão e surge outra. O movimento vida-morte-vida
obedece ao fluxo ininterrupto da imortalidade.
Somente eterno é o Espírito, que transita entre uma e outra
aparência orgânica para atingir a excelsa destinação que lhe está
reservada.
Essa é a fatalidade estabelecida pelo Pai Criador para todas as
expressões sencientes do Universo. Mediante os renascimentos
em diferentes etapas, o princípio espiritual desenvolve a consciência
adormecida e todos os conteúdos da imagem e semelhança
de Deus.
A semente, que possui o germe da vida, a fim de fazê-la desabrochar

em plenitude, necessita ser sepultada no solo para morrer,
quando então desperta e faz-se exuberante.
Também para o Espírito, torna-se indispensável envolver-se
na indumentária material, propiciando-se a renovação de energias
para desatar a divindade que nele dorme e que o convida a ininterrupto
crescimento.
Cada existência orgânica constitui uma etapa através da qual
os valores internos fixam-se na consciência, facultando novos
investimentos-luz para a viagem de sublimação.
Libertando-se das camadas mais toscas e grosseiras do primarismo
por onde inicia a jornada evolutiva, alcança os patamares
do sentimento e da razão, programando-se a conquista da angelitude que poderá desfrutar desde o momento que se lhe imponham
as intenções de auto-superação.
Renascer da carne e do Espírito, conforme acentuou Jesus no
seu momentoso diálogo com o doutor da Lei, Nicodemos, significa
sim a imantação nas moléculas constitutivas da germinação que
se encarrega de construir o zigoto, depois o feto e, por fim, o ser
humano.
Condensando a água que vitaliza com energia a forma física,
nela imprime os equipamentos que lhe são necessários, graças às
experiências transatas que lhe facultaram aquisição de implementos
morais e vivenciais para atingir a meta.
Renasce a planta após a devastação da tormenta. Renascem os
rios e fontes depois do ardor do verão sob as bênçãos da chuva.
Renascem os sentimentos passadas as ocorrências dilaceradoras.
Renasce a vida em todos os fenômenos conhecidos ou não.
Renasce o Espírito no corpo físico buscando a grande luz.
A experiência evolutiva começa na noite do minério e ruma
para a claridade estelar da arcangelitude. É necessário nascer,
morrer e renascer, conquistando níveis de sabedoria nos quais o
amor e o conhecimento confraternizem em clima de libertação.
Somente através dos instrumentos que facultam o renascimento
do corpo, lapida-se o Espírito que faz desabrochar todas as
potencialidades adormecidas para cuja finalidade encontra-se no
processo de evolução. da felicidade.
Necessário desalgemar-se das imperfeições, a fim de unir os
sentimentos na construção da felicidade.
Há muita paisagem bela pelo caminho esperando contemplação.
No entanto, é necessário seguir adiante e vencer as muitas
milhas que estão aguardando na estrada do progresso.

Quem se detém, seja por qual motivo for, transfere a oportunidade
de conquistar o infinito. O hoje desempenha papel de
fundamental importância na aquisição do futuro. Torna-se, portanto,
indispensável investir em luz o que se possui em sombra,
que deve ser transformada em claridade de amor e misericórdia.
São o amor e a misericórdia do Pai que facultam ao endividado
resgatar o débito e ao calceta, o ensejo de reparar o delito. Da
mesma maneira, cabe ao ser humano repartir a esperança, conceder
ensejo de reparação, ampliar o perdão, a fim de que o seu
próximo na retaguarda tenha acesso a outros patamares da emoção
e da cultura, para saber, para discernir e para amar sem preconceito
nem limitação.
O renascimento surge na árvore vergastada pela poda rude,
abrindo-se em verdor, flores e frutos.
Sem qualquer ressentimento pelas ocorrências destrutivas
que, em realidade, são apenas ocasiões transformadoras, a vida
ressurge do pântano pela drenagem, do deserto pela fertilização,
abençoando o mundo e todos os seres.
Morrer, desse modo, é conquistar novo campo vibratório para
fortalecer as resistências e renascer crescendo na direção de Deus.
Nunca temas, nem a morte, nem a vida.
Renascerás após o trânsito espiritual conduzindo os tesouros
que acumulaste na Terra e no mundo extracorpóreo, que te facultarão
melhores investimentos em benefício próprio e da humanidade.
Todo renascimento é festa de compaixão pelo trânsfuga do
dever. Renascendo, a paisagem está sempre rica de cor, de alimentos,
de vida.
O renascimento na carne é a reconciliação do Espírito consigo
mesmo, facultando-se ensejo novo para aprender e para viver
melhor.
Quando a noite moral te envolver em sofrimentos inesperados
e deixar-te em expectativas mais inquietadoras, não olvides que a
semente que não morrer, não viverá, conforme acentuou Jesus.
Assim, todo aquele que não passar pela porta estreita do testemunho,
não poderá contemplar a madrugada exuberante da imortalidade.
Jamais deixes que a esperança desapareça dos teus sentimentos.
Quando moram determinados objetivos, permanece no bem e
renascerão todos eles em forma de novos desafios para o teu
crescimento.
Pensamentos extraídos da mensagem Renascimento,
escrita em Zurique, Suíça, no dia 1o de junho de 2001

Joanna De ângelis/Divaldo Franco