quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SALVAÇÃO INDIVIDUAL

As privações voluntárias, com vistas a uma expiação
igualmente voluntária, tem algum mérito aos olhos de Deus?
- Fazei o bem aos outros, e tereis maior mérito.
(“O Livro dos Espíritos” questão nº 720)

O Espiritismo como revivescência do Evangelho, modifica
completamente o conceito de salvação da Alma até então
apregoado pelas mais diversas religiões.
Outrora, no anseio de redimir-se espiritualmente, o homem se
isolava, com o propósito de fugir à tentação, interpretando a vida
na matéria como sendo um mal de inaceitáveis conseqüências...
Mortificava-se moralmente, impondo-se as mais absurdas
privações, sem que, no entanto, semelhante providência lhe
trouxesse benefícios à própria iluminação...
Submetia o corpo através de rígidas disciplinas e jejuns, abstendose
dos prazeres mais comezinhos, sem que isso quase nada lhe
acrescentasse ao espírito, em termos de conhecimento da verdade...
O próximo não lhe importava, porque em sua visão obtusa de
ascese para o Céu, o próximo deixava de ser uma ponte para os
cimos, afim de se lhe converter num abismo de perdição.
Cogitando de sua redenção pessoal, o homem escravizava-se ao
egoísmo, esquecido de que o Cristo desceu das altas esferas pra
ensinar o caminho da verdadeira libertação.
Com Jesus, o êxtase isolado dos místicos cede lugar à solidariedade
– Após transfigurar-se no Tabor, na presença de Pedro, Tiago e
João, eis que se humaniza no contato com a multidão ao socorrerlhe
os sofrimentos imediatos, embora os apóstolos instassem para
que ele ficasse.
No sermão do monte, antes de falar das bem-aventuranças
eternas, o Senhor multiplica os pães e peixes, atendendo aos
estômagos famintos...
No momento da cruz, quis o mestre estar sozinho, embora Dimas e
Gestas, os dois malfeitores que o ladearam no Calvário, estivessem à
altura de compreender-lhe a verdadeira mensagem...
Na Doutrina Espírita, aprende-se que o caminho da Caridade é a
única via de acesso aos 64nigmas Superiores da Vida;
Que a Salvação individual passa, necessariamente, pelo empenho
da salvação do outro;
Que ninguém ascende luz na própria alma, indiferente ás trevas
em torno;
Que a pranto isolado das atitudes místicas não substitue o suor que
se deixa verter na ação do bem de todos;
Que a oração dos que operam a fraternidade legítima vale mais
que a prece que se balbucia dos lábios tementes ao Céu.
Que o recolhimento excessivo da alma não passa de perda de
tempo, no dever que não lhe cabe cumprir na construção do mundo
melhor.
Que a disciplina que necessita impor é a de preocupar-se em ser útil
aos semelhantes;
E que ninguém de fato se conhecerá, sem que se exponha ás lutas
cotidianas e às provas sistemáticas da existência.
O maior obstáculo para o homem, sem dúvida, é o de superar-se
em contato com os semelhantes, servindo-se uns aos outros de
instrumento de progresso no aprendizado mútuo que se ensejam,
porque, se a jornada para os cimos é um empreendimento solitário
da alma, torna-se impossível de ser levada adiante, se não for
compartilhada.