quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

COMPORTAMENTOS AUTODESTRUTIVOS

A falta de iniciativa e o medo constituem fatores relevantes para a
instalação dos comportamentos autodestrutivos, decorrência natural da
insegurança pessoal e da hostilidade social presente na competitividade da
sobrevivência humana.
Conflitos autopunitivos da consciência de culpa não superados
apresentam-se de forma patológica, contribuindo para a ausência de autoestima
e compulsão auto-exterminadora. Nem sempre porém, assumem a
tendência para o suicídio direto, manifestando-se, entretanto, de maneira
mascarada, como desinteresse pela existência, ausência de objetivos para
lutar, atitudes pessimistas...
Noutras ocasiões, a freqüente ingestão das vibrações perniciosas do mau
humor, do ressentimento, da rebeldia sistemática, do ódio, do ciúme
desenvolvem transtornos psíquicos que terminam por desarmonizar as células,
comprometer os órgãos e conduzir à morte.
Diversas enfermidades têm causalidade psicossomática, que culminam em
verdadeiros desastres orgânicos.
Na raiz de toda doença há sempre componentes psíquicos ou espirituais,
que são heranças decorrentes da Lei de causa e efeito, procedentes de vidas
transatas, que imprimiram nos genes os fatores propiciadores para a instalação
dos distúrbios na área da saúde.
A vida moderna, geradora de estresses e angústias, por sua vez também
desencadeia mecanismos de ansiedade e de fobias várias, que desgastam os
núcleos do equilíbrio psicológico com lamentáveis disfunções dos
equipamentos físicos.
As pressões contínuas que decorrem do trabalho, dos compromissos
sociais, das necessidades econômicas, da tensão emocional e dos impositivos
psíquicos, desestabilizam o ser humano, que se torna vítima fácil de falsas
necessidades de fugas, como recurso de buscar a paz, engendrando
comportamentos autodestrutivos.
Desequipado psicologicamente para os enfrentamentos incessantes e
sentindo-se incapaz para acompanhar e absorver o desenvolvimento
tecnológico e toda a parafernália dos divertimentos que induzem ao
consumismo rigoroso e insensato, o indivíduo de temperamento tímido
perturba-se, desistindo de prosseguir, ou se engaja na loucura generalizada,
auto-destruindo-se igualmente através da excitação e da insatisfação, da
competitividade com os seus intervalos de fastio e amargura, buscando, nos
alcoólicos, no tabaco, no sexo e nas drogas os estímulos e as compensações
para substituírem o cansaço, o tédio e a saturação diante do que já haja
conseguido.
A velocidade que assinala os acontecimentos hodiernos supera as suas
resistências emocionais, e deixa-se conduzir, a princípio, sem dar-se conta do
excesso da carga psíquica, para depois automatizar-se, sem reservar-se
períodos para o auto-refazimento, para a renovação, para o encontro consigo
mesmo e uma análise tranqüila das metas em desenvolvimento, elaborando e
seguindo uma escala de valores legítimos, a fim de não consumir as horas e as
forças nas buscas impostas pelo contexto social, no qual se encontra, e que
não lhe correspondem às aspirações íntimas.
 A existência terrena é portadora de valiosa contribuição ética, estética,
intelectual, espiritual, e não somente dos impositivos materiais e das
satisfações ligeiras do ego sem a compensação do Self.
São muitos os mecanismos que levam à autodestruição, dentre os quais, a
fadiga pelo adquirir e poder acompanhar tudo; estar envolvido nas armadilhas
criadas pelo mercado devorador que desencadeia inquietação; a quantidade de
propostas perturbadoras pela mídia, que aturde; o excesso de ruídos em toda
parte, que desorienta, e a superpoluição nos centros urbanos, que desenvolve
os instintos violentos e agressivos, eliminando quase as possibilidades para a
aquisição da beleza, do entesouramento da paz, de ensanchas de autorealização.
O ser humano é a medida das suas aspirações e conquistas, sem o que a
mediocridade o vence.
Cada meta desenvolvida propicia a compensação da vitória e o estímulo
para novas realizações. Quando isso não ocorre, os insucessos mal
interpretados levam-no à desarmonia, da qual procedem os fatores inibidores
para novos tentames com a desistência do esforço e a perda da capacidade
para recomeçar.
É justo não se desfalecer jamais. Toda ascensão impõe sacrifício, toda
libertação resulta de esforço.
A ruptura das algemas psicológicas responsáveis pelo desprezo de si
mesmo, pelo acabrunhamento e autonegação torna-se de urgência, a fim de
favorecer a visão clara da realidade e os meios hábeis para bem vivê-la.
Cada momento propicia renascimento, quando se está vigilante para fazêlo.
Na impossibilidade de mudar-se a vida moderna, melhor explicando, os
fatores negativos que conduzem aos conflitos — desde que existem valiosos
contributos para a sua valorização, aquisição do seu significado, crescimento
interior e progresso individual como geral
— cumpre se criem condições próprias para enfrentá-la, se elaborem
programas pessoais para a auto-realização e bem-estar, não se deixando
atormentar com as imposições secundárias, desde que percam o significado de
que desfrutam...
Exercícios físicos e rítmicos — natação, caminhada, ciclismo, de acordo
com a eleição de cada qual —, ao lado de exercícios mentais — boa leitura,
música inspiradora, conversações instrutivas, relacionamentos estimulantes,
orações, meditação, ajuda ao próximo — são excelentes terapias para a
redescoberta do significado existencial e da vida, aceitando sem estresse as
imposições contemporâneas, decorrentes do processo da evolução científicotecnológica.
A existência enriquecida de ideais deve ser utilizada mediante os diversos
recursos hodiernos para transformar o tumulto em harmonia, a doença em
saúde e a tendência à autodestruição em prolongamento da vida sob a égide
do amor que a tudo deve comandar, inspirar e vencer.
Face à sua presença e vitalidade, o mundo se modifica e o ser se liberta,
plenificando-se.