DEVERES DOS FILHOS ******

 

Toda a gratidão sequer retribuirá a fortuna da oportunidade fruída

através do renascimento carnal.

 O carinho e respeito contínuos não representarão oferenda compatível

com a amorosa assistência recebida desde antes do berço.

 A delicadeza e a afeição não corresponderão à grandeza dos gestos de

sacrifício e da abnegação demoradamente recebidos. .

 Os filhos têm deveres intransferíveis para com os pais, instrumentos de

Deus para o trâmite da experiência carnal, mediante a qual o Espírito adquire

patrimônios superiores, resgata insucessos e comprometimentos

perturbadores.

*

 Existem genitores que apenas procriam, fugindo à responsabilidade.

 Não compete, porém, aos filhos julgá-los com severidade, desde que não

são dotados da necessária lucidez e correção para esse fim.

 Se fracassaram no sagrado ministério, não se furtarão à consciência, em

forma da presença da culpa neles gravada.

 Auxiliá-los por todos os meios ao alcance é mister indeclinável, que o

filho deve ofertar com extremos de devotamento e renuncia.

 A ingratidão dos filhos para com os pais é dos mais graves enganos a

que se pode permitir o Espírito na sua marcha ascensional.

 A irresponsabilidade dos progenitores de forma alguma justifica a

falência dos deveres morais por parte da prole.

 Ninguém se vincula a outrem através dos vigorosos liames do corpo

somático, da família, sem justas, ponderosas razões.

 Desincumbir-se das tarefas relevantes que o amor e o reconhecimento

impõem - eis o impositivo que ninguém pode julgar lícito postergar.

*

 Ama e respeita em teus genitores a humana manifestação da

paternidade divina.

 Quando fortes, sê-lhes a companhia e a jovialidade; quando fracos, a

proteção e o socorro.

 Enquanto sadios, presenteia-os com a alegria e a consideração; se

enfermos, com a assistência dedicada e a sustentação preciosa.

 Em qualquer situação ou circunstância, na maturidade ou na velhice,

afeiçoa-te àqueles que te ofertaram o corpo de que te serves para os

cometimentos da evolução, como o mínimo que podes dispensar-lhes,

expressando o dever de que te encontras investido. 


DIVALDO FRANCO

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