De fato, o dinheiro Constitui pesada responsabilidade para o seu
possuidor.
Não compra a felicidade e muitas vezes torna-se responsável por
incontáveis desditas.
Apesar disso, a sua ausência quase sempre se transforma em fator de
desequilíbrio e miséria com que se atormentam multidões em desvario.
O dinheiro, em si mesmo, não tem culpa: não é bom nem mau.
A aplicação que se lhe dá, torna-o agente do progresso social, do
desenvolvimento técnico, do conforto físico e, às vezes, moral, ou causa de
inomináveis Iesgraças.
Sua validade decorre do uso que lhe é destinado.
Com ele se adquire o pão, o leite, o medicamento, dignificando o homem
pelo trabalho.
Sua correta aplicação impõe responsabilidade e discernimento, tornandose fator decisivo na edificação dos alicerces das nações e estabilizando o intercâmbio salutar entre os povos.
Através dele irrompem o vício e a corrupção, que arrojam criaturas
levianas em fundos despenhadeiros de loucura e criminalidade.
Para consegui-lo, empenham-se os valores da inteligência, em esforços
exaustivos, por meio dos quais são fomentados a indústria, o comércio, as
realizações de alto porte, as ciências, as artes, os conhecimentos.
No sub-mundo das paixões, simultaneamente, dele se utilizando, a
astúcia e a indignidade favorecem os disparates da emoção, aliciando as
ambições desregradas para o consórcio da anarquia com o prazer.
Por seu intermédio, uns são erguidos aos píncaros da paz, da glória
humana, enquanto outros são arrojados às furnas pestilentas do pavor e da
desagregação moral em que sucumbem.
Sua presença ou ausência é relevante para a quase totalidade dos
homens terrenos.
Para o intercâmbio, no movimento das trocas de produtos e valores, o
dinheiro desempenha papel preponderante.
Graças a ele estabelecem-se acordos de paz e por sua posse explodem
guerras calamitosas.
*
Usa-o sem escravizar-te.
Possui-o sem deixar-te por ele possuir.
Domina-o antes que te domine.
Dirige-o com elevação, a fim de que não sejas mal conduzido.
Mediante sua posse, faze-te pródigo, sem te tornares perdulário.
Cuida de não submeter tua vida, teus conceitos, tuas considerações e
amizades ao talante do seu condicionamento.
Previdente, multiplica-o a benefício de todos, sem a avareza que alucina
ou a ambição que tresvaria.
De como te servires do dinheiro, construirás o céu da alegria ou o inferno
de mil tormentos para ti mesmo.
Se te escasseia nas mãos a moeda, não te suponhas vencido.
Ter ou deixar de ter, importa pouco, na economia moral da tua existência.
O importante será a posição que assumas em relação à posse.
Não te desesperes pela ausência do dinheiro.
Como há aqueles que se fizeram servos do que têm, os há, também,
escravizados ao que gostariam deter.
O dinheiro é meio, não meta. Imprescindível colocar-te jubilosamente na
situação que a vida te brindou, padronizando as diretrizes e os desejos
pessoais dentro dos limites transitórios da experiência educativa por que
passas, conseqüência natural do mau uso que fizeste do dinheiro que um dia
possuiste.
Por outros recursos poderás ajudar o próximo e erigir a felicidade pessoal,
conforme as luminosas lições com que o Evangelho te pode enriquecer a vida.
Essencial é viver bem e em paz com ou sem o dinheiro.
DIVALDO FRANCO
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