ZAMENHOF

Lázaro Luis (Lejzer Ludwik) Zamenhof, sem qualquer sombra de dúvida, foi um gênio e, como gênio, médium.
Quem se dispuser a estudar a vida de Zamenhof verificará que essa vida está pontilhada de fatos que comprovam, de maneira eloqüente, o seu psiquismo ultra-sensível, por força do qual a mediunidade de inspiração exerceu nele papel preponderante para a elaboração da língua internacional – o Esperanto!
Os Espíritas estamos perfeitamente capacitados de que o Esperanto não surgiu, na Terra, como obra de simples acaso, ou pelo capricho de um homem, mas, sim, que esse idioma neutro e internacional é o resultado de estudos e pesquisas levados a efeito na Espiritualidade, por entidades especializadas no assunto, cabendo, dentre eles, ao Espírito apostolar de Zamenhof, possuidor de longa folha de serviços prestados em vidas pregressas, lançar uma língua capaz de superar as barreiras idiomáticas que tanto têm dificultado o melhor entendimento entre os povos do mundo inteiro!
E por esse interesse das superiores entidades do Além pelo Esperanto? A resposta é simples – o Espiritismo, como todos sabemos, tem como escopo principal levar aos homens de todas as nações os ensinamentos de Jesus, dentro de uma concepção nova, digamos assim, de justiça divina, e essa tarefa seria sobremodo facilitada se houvesse um idioma internacional fácil, flexível, elástico, estético, suave, harmonioso e sonoro, como a língua italiana!
E Zamenhof cumpriu de maneira surpreendente a missão que o trouxe à Terra, propiciando ao Espiritismo o veículo maravilhoso para a mais ampla propagação da verdade salvadora que há de reunir as criaturas num ambiente de lealdade e de paz substancial!
Todo espírito missionário, todo portageiro de idéias destinadas a representar grande papel na história da Humanidade, tem de, invariavelmente, encontrar opositores sistemáticos, ferrenhos, intransigentes!
Zamenhof teve, por isso mesmo, de lutar como um leão e de sofrer como todo missionário que visa a beneficiar a Humanidade em geral. Não lhe pouparam os epítetos de louco, de utopista e de demolidor do sentimento pátrio! E por quê? Pela ingênua e irrisória alegação de que “uma língua internacional destruiria as línguas nacionais e, conseqüentemente, as nações”.
Mas, sejamos honestos em nossos raciocínios. Qual a desgraça que adviria à Humanidade “se um belo dia, como acentuou Zamenhof, se verificasse que já não existiam nações nem línguas nacionais, e que só existia uma família humana com uma única língua?”.
A verdade, porém, é que tal coisa jamais passou pela cabeça de Zamenhof. O nobilitante e caridoso anseio desse missionário visava unicamente a “dar aos homens de línguas diferentes, que se conservam como mudos uns diante dos outros, a possibilidade de se compreenderam”.
Será oportuno relembrar-nos, neste passo, as seguintes palavras de Jesus: - “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste aprisco. Também estas cumpre que eu as traga; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor”.
Em face dessas palavras do Divino Mestre, sentimo-nos com direito de perguntar: se a língua internacional tivesse um dia essa força de fazer silenciar os idiomas pátrios e até mesmo o de fundir todas as nações em uma só nação, seria isso um crime, uma indignidade, uma heresia?
Absolutamente não! Seria, sim, a simples realização dos desejos do Cristo! – Um só rebanho, isto é, todos perfeitamente integrados na pura essência do Cristianismo, falando a linguagem única do Amor!
Esmorecer é palavra que não pode, de forma alguma, existir no vocabulário do idealista sincero. Esperanto é sinônimo de esperança, e quem traz no coração a esperança da vitória, não olha para trás, prossegue sempre, mas, nessa marcha progressiva, jamais deve olvidar que o Esperanto também significa Paz, Harmonia, Tolerância, Compreensão, Trabalho e Amor!
A criação do idioma artificial, como o Esperanto, só podia ser levada avante por um Espírito de escol, devidamente preparado para esse mister. E Zamenhof já desde a infância alimentava essa idéia. E por quê? Era a reminiscência que nele porejava, pois seu Espírito, quando no Espaço, como já dissemos, fizera os necessários estudos para o desempenho dessa difícil missão. E tal era o amor com que então a eles se entregava, tal o entusiasmo que o empolgou, pela antevisão do futuro desse idioma artificial, como coadjuvador de uma maior expansão dos ensinamentos de Jesus, que seu Espírito jamais abandonou essa idéia.
A grandiosidade desse trabalho extraordinário de Zamenhof está, a nosso ver, na grande facilidade com que todos podem aprender o Esperanto.
O notável escritor e filosofo Léon Tolstoi disse que a facilidade do seu aprendizado era tal, que, havendo recebido uma gramática de Esperanto, um dicionário e artigos escritos nessa língua, depois de se ocupar com ela durante duas horas, podia, senão escrever, pelo menos ler nessa língua.
O Esperanto não empolga só a nós, que nos encontramos sob o jugo da carne; ele, como idéia que se corporificou e que se vai fortalecendo, lenta mais com firmeza, entre os povos do mundo inteiro, esse Esperanto que o Espírito missionário de Zamenhof trouxe à Terra, como elemento de união e de entendimento entre os povos, é, como não podia deixar de ser, no Espaço, encarado com simpatia pelos Espíritos superiores, porque nele viam e vêem uma força que, amanhã, se tornará indispensável no concerto das nações civilizadas.
Cruz e Souza, que foi, quando entre nós, apreciado poeta, lá do Além continua brindando-nos com seu estro maravilhoso. E dentre suas produções mediúnicas destacamos esta, dedicada a Zamenhof:
 
Grande Irmão, Missionário e Mensageiro,
Não acendeste, em vão, na noite escura,
A estrela da esperança, terna e pura,
Que brilha agora para o mundo inteiro.
Não sofreste, debalde, o cativeiro
Da carne que é flagelo e desventura;
Tua mensagem lúcida fulgura
Sob o amor do Divino Pegureiro.


Em teu apostolado augusto e santo,
Desfraldaste a bandeira do Esperanto,
Unindo os povos na Fraternidade!...

Gênio Celeste entre os Celestes Gênios,
Brilharás na memória dos milênios,
Vanguardeiro da nova Humanidade!


A mediunidade de Zamenhof fica evidenciada em diversos pontos de seus poemas e discursos. Seu último trabalho, interrompido pela morte, foi o esboço de uma profissão de fé espiritualista. Tinha sempre caderno e lápis na mesinha de cabeceira, para tomar nota das boas idéias que lhe ocorriam no leito. Seus sentimentos humanitários eram de sublime elevação. Era o médico dos pobres num dos bairros mais pobres de Varsóvia.
É por tudo isso que a família espírita aceita e divulga a língua internacional, consciente de que está servindo a Humanidade que tanto almeja o reinado da paz e da compreensão!
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Lázaro Luis Zamenhof nasceu na cidade de Bialystok, Polônia, então anexada ao império russo, no dia 15 de dezembro de 1859. Lá se falava cerca de duzentas línguas diferentes, sendo que somente na pequena Bialystok se falavam quatro línguas oficiais: russo, alemão, polonês e idiche, com crenças hostis, umas as outras, fato que, certamente, motivou todo o seu nobre trabalho na criação da língua internacional.
Zamenhof desencarnou em 14 de abril de 1917, sendo sepultado no cemitério israelita de Varsóvia, ao lado de Clara, seu amor de toda uma vida e grande colaboradora e incentivadora.

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