“Com a Mesma Medida com que Medirdes Ser-vos-á Medido”

Assim disse o Mestre.
Com estas palavras enuncia Jesus a grande lei do indestrutível equilíbrio
do Universo. Nenhuma creatura, por mais poderosa, pode desequilibrar o
equilíbrio cósmico da justiça. Ninguém pode frustrar um só dos planos de Deus.
Na ordem ontológica ou objetiva das coisas, Deus será sempre 100% vitorioso.
Ninguém o pode derrotar, nem mesmo Satanás. Todas as rebeldias das
creaturas, subjetivamente inimigas de Deus, contribuirão objetivamente para
evidenciar a soberania única e a infinita majestade de Deus.
Entretanto, dentro dessa indestrutível ordem objetiva e desse equilíbrio
estável do Universo pode haver altos e baixos, luzes e sombras, bem e mal.
Toda creatura consciente e livre pode, da sua parte, opor-se a Deus e tentar
prevalecer contra o Grande Todo. É o mistério da liberdade da creatura
consciente.
É, porém, absurdo admitir que algum finito possa derrotar o
Infinito, que a parte possa prevalecer contra o Todo, que algum efeito
existencial possa frustrar algum dos planos da Causa Essencial.
Nenhum plano de Deus pode ser frustrado pelo homem, nem por
Satanás. A creatura não tem a escolha entre cumprir ou não cumprir os planos
de Deus; só tem à escolha dois modos de os cumprir; ou gozosamente ou
dolorosamente, mas em qualquer hipótese a creatura cumprirá os planos do
Creador, seja gozando, seja sofrendo. O infalível cumprimento pertence a
Deus, o cumprimento gozoso ou doloroso pertence ao homem.
Ora, quando o homem se opõe aos planos de Deus, faltando à Verdade,
à Justiça, ao Amor, então entra ele na zona da culpa (ou pecado), cujo reverso
se chama pena (sofrimento). Pela culpa tenta o homem afastar-se de Deus;
pela pena é ele levado a aproximar-se de Deus. Pela culpa tenta o homem
desequilibrar o equilíbrio do Universo — pela pena reequilibra ele esse
desequilíbrio subjetivo. Dizemos “subjetivo”, porque um desequilíbrio objetivo
éabsolutamente impossível; se possível fosse, deixaria Deus de ser soberano e
onipotente e deixaria o Universo de ser um “cosmos”, para se converter num
“caos”.
A culpa é algo negativo, como negativa é também a pena, o sofrimento.
O negativo da culpa provoca infalívelmente o negativo da pena. Negativo
produz negativo — é esta, por assim dizer, a “homeopatia cósmica” do
universo. Por outro lado, positivo produz positivo.
O mal provindo do sujeito (culpa) produz o mal provindo do objeto
(pena).
O bem, nasci do do sujeito (amor) produz o bem, nascido-do objeto
(gozo).
Se eu assumo atitude negativa, má, em face de outros componentes do
Universo, odiando — o Universo assumirá atitude negativa contra mim, fazendo-
me sofrer.
Se eu assumir atitude positiva, boa, em face de qualquer componente do
Universo amando — o Universo assumirá atitude positiva a meu favor,
fazendo-me gozar.
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Só assim é possível manter o equilíbrio estável do Universo.
Toda a sabedoria do homem está, portanto, em nunca assumir atitude
negativa, mas sempre atitude positiva em face do Universo e qualquer dos
seus componentes. E supinamente absurdo alguém pensar que, arremetendo
com a cabeça contra o Himalaia, possa derrubar essa gigantesca montanha,
embora consiga talvez deslocar uma ou outra pedrinha insignificante, a qual,
mesmo assim, continuará a fazer parte integrante do Himalaia. Toda a
sabedoria consiste em que o homem, espontaneamente, harmonize a sua
atitude subjetiva com a eterna e indestrutível Realidade objetiva do Universo;
que sintonize o seu pequeno querer e agir com o grande Querer e Agir de
Deus.
Crear qualquer negativo de culpa equivale a provocar um negativo de
pena ou sofrimento.
Crear um positivo de amor equivale a provocar um positivo de gozo.
Pecado gera sofrimento.
Amor gera felicidade.
“Com a mesma medida com que medirdes medir-se-vos-á”.
Quem nos mede com a mesma medida é a inexorável retitude da Constituição
Cósmica, a qual, todavia, se manifesta, geralmente, através de seus agentes
concretos, a natureza ou os homens. A natureza e os homens são os
representantes da eterna Verdade e Justiça. Quem se opõe a essa Verdade ou
Justiça terá que sofrer — quem se harmoniza com essa Verdade e Justiça há
de gozar.
Verdade é que essa conseqüência, negativa ou positiva, nem sempre
aparece imediatamente; mas o seu aparecimento é infalível, mesmo que tarde:
decênios, séculos ou milênios, porque em hipótese alguma pode a ordem do
Universo, subjetivamente negada pela culpa ou afirmada pelo amor, deixar de
agir no mesmo sentido, negativo ou positivo, produzindo sofrimento ou gozo.
Ser mau equivale a ser infeliz. Ser bom equivale a ser feliz.

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