Emmanuel
Enquanto dolorosos fenômenos políticos e sociais afligem os povos
do mundo, a alma humana procura ansiosamente a fé.
Angustiado, desiludido, o homem do século vertiginoso, busca a
solução do mistério do destino e do se¿. Ele sabe que as civilizações
vieram e passaram, que as guerras se sucederam às promessas de paz,
que numerosos códigos surgiram e desapareceram, que as afirmações
científicas e filosóficas nao são as mesmas do passado próximo.
Onde a estabilidade?
Na dominação política? Não desconhece que Alexandre e Napoleão
brilharam, como pirilampos, através de algumas noites.
Na cultura intelectual, pura e simplesmente? A inteligência
disvirtuada fortalece os monstros bélicos.
No império dos sentidos? As emoções transitórias não resolvem o
problema fundamental da vida.
Na satisfação egoística dos interesses individuais? É possível que a
morte física se verifique para cada lutador terrestre em minuto
inesperado.
Aflito, o transviado do País Divino recorre às religiões antigas, mas
o culto externo, aparatoso e convencional, dificulta a visão da consciência.
O por isto que o Espiritismo, em sua feição de cristianismo
restaurado, provoca os interesses de todos os trabalhadores do
pensamento, sequiosos de libertação espiritual. Acorrem todos aos seus
estudos, experiências e benefícios.
Urge compreender, todavia, que não se arrebata a luz divina,
através dos aparelhos materiais, com que se observam os médiuns
humanos, nem se olhe o trigo eterno da verdade, à força de
interrogatórios e imposições.
A aquisição de qualquer utilidade terrestre exige pagamento ou
compromisso. A obtenção da fé reclama, por sua vez, determinados
valores da natureza espiritual. Buscar-lhe o valor positivo, exibindo um
coração carregado de forças negativas das convenções terrestres é o
mesmo que reclamar água cristalina da fonte, trazendo um cântaro cheio
de vinagre e detritos.
Não vale experimentar sem entendimento, responsabilidade,
sinceridade e consciência. A fé, ciosa de suas dádivas, não se interessa
pelos insensatos, já de si mesmos recomendados à piedade do bem.
É por este motivo que Espiritismo sem edificação do homem
interior é simples fenômeno e de fenômenos estão repletos todos os
recantos da vida. O por isto que a procura da fé, sem a reforma íntima
dos interessados, em Jesus Cristo, costuma representar mera aventura da
vaidade humana, impermeável à revelação superior, nas densas trevas
dos abismos do “eu”.
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