Duas pequenas esquilos, Lili e Rico, pulavam de galho em galho, brincando de pique. O outono já havia chegado, as folhas farfalhavam sob suas patas, enquanto o vento levava suas curvas douradas para o alto.
— Lili, olha! — sussurrou Rico de repente, prendendo a respiração.
Ele apontou para um buraco em um velho carvalho onde havia uma reserva de nozes. Suprimentos de outros. Alguém dos moradores da floresta havia trabalhado arduamente para colecioná-los, a fim de sobreviver ao longo inverno.
— Que sorte a nossa! — exclamou alegremente Rico. — Podemos pegar um pouco!
— Mas essas não são nossas nozes... — respondeu Lili, hesitante, mas seu amigo já estava subindo pelo tronco.
— Não seja ingênua! Na floresta ninguém nota quem pega o quê. Eles nem vão perceber que algo está faltando — riu Rico, tirando uma das nozes e jogando-a para baixo. — Vamos lá, pegue!
Lili se aproximou com cautela, olhou para a noz, depois para o buraco novamente.
— Rico, e se esses forem os suprimentos de algum esquilo velho que não pode mais coletar sua própria comida? E se ele não tiver forças para encontrar novas nozes?
Rico parou. Ele não havia pensado nisso.
— Mas, afinal, ninguém vai ver... — disse ele em voz baixa.
— Alguém verá sim, — Lili colocou a patinha no coração. — Eu.
Rico olhou para ela e de repente entendeu tudo. Mesmo que ninguém descubra, ela saberia.
Lili levantou a noz com cuidado e a devolveu ao buraco.
— Eu não posso pegar o que não me pertence. Isso está errado.
Rico suspirou e então, um pouco envergonhado, também devolveu a noz.
— Você está certa, Lili. É melhor procurarmos nossas próprias nozes.
Eles continuaram correndo pelos galhos, sentindo uma leveza na alma. Porque a verdadeira honestidade não é apenas sobre ações que os outros veem, mas também aquelas que sua consciência vê.
Muitas vezes as pessoas pensam que, se ninguém vê suas ações, então elas não importam. Mas na verdade nosso principal juiz somos nós mesmos.
A consciência é uma voz dentro de nós que não pode ser enganada.
Ela não exige elogios, não espera reconhecimento, mas se lembra de si mesma no silêncio, quando ninguém está olhando.
Podemos fazer escolhas erradas, esperando que ninguém descubra.
Mas a paz de espírito só vem quando vivemos honestamente — com nós mesmos, com o mundo e com nossa consciência.

Comentários
Postar um comentário