Você começa a morrer lentamente…




 Você começa a morrer lentamente…

Se não viajar, se não ler, se não ouvir os sons da vida.
Se não se valorizar.
Você começa a morrer lentamente…
Quando sufoca a própria autoestima,
Quando se recusa a aceitar ajuda,
Quando se fecha para o mundo.
Você começa a morrer lentamente…
Se se torna escravo da rotina,
Caminhando sempre pelos mesmos caminhos,
Vivendo sempre os mesmos dias.
Se não ousa mudar, experimentar,
Se não veste novas cores,
Se não se abre para novas conversas.
Você começa a morrer lentamente…
Se evita sentir,
Se apaga a chama da paixão,
Se não permite que algo faça seus olhos brilharem
E seu coração disparar.
Você começa a morrer lentamente…
Se teme o risco e se apega ao certo,
Se enterra seus sonhos antes mesmo de persegui-los,
Se não se permite, ao menos uma vez,
Ignorar a razão e seguir o chamado da alma.
Não se permita morrer lentamente.
Não esqueça de viver.
— Pablo Neruda
Poeta chileno, Prêmio Nobel de Literatura (1971).
Arte: Jovem lendo, c. 1769, Jean Honoré Fragonard.


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