A Mentira disse à Verdade:
“Vamos tomar banho juntas, a água do poço está deliciosa.”
A Verdade, cautelosa, mergulhou os pés e sentiu:
sim, a água era boa.
Despiu-se e entrou.
Ambas nuas, mergulharam nas profundezas daquele poço calmo.
Mas, de repente, a Mentira saiu correndo,
vestiu as roupas da Verdade
e desapareceu pelo mundo.
A Verdade, atônita e furiosa, emergiu para recuperar o que era seu.
Mas quando pisou fora do poço, nua,
o mundo a olhou com desprezo, raiva e horror.
Desviaram o olhar. Apontaram. Julgaram.
Porque ninguém quer encarar a Verdade nua.
Envergonhada, rejeitada,
a Verdade voltou ao poço
e lá se escondeu para sempre.
Desde então, a Mentira caminha entre nós, vestida como a Verdade.
E o mundo sorri satisfeito,
porque a Verdade nua exige coragem demais para ser encarada.
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