Certa vez conheci um homem
Que só tinha um mês de vida.
Perguntei-lhe, com o coração apertado,
Se havia algo que valesse a pena partilhar.
Ele sorriu com a serenidade de quem já entendeu tudo,
E disse:
“Acordo todas as manhãs sabendo que vou morrer…
E é exatamente por isso que valorizo cada segundo que respiro.
A morte, meu amigo, deixou de ser uma ameaça —
É apenas um lembrete diário
De que estar vivo já é, por si só, um milagre.
A minha vida virou contagem regressiva.
Cada hora, um fio de areia escorrendo…
Eu ouço o tique-taque com clareza,
Mas, veja bem, o relógio também está correndo para ti.
A diferença?
Tu esqueces que estás morrendo.
Eu sei.
E é por isso que vivo com urgência.
Então, aproveita a luz do sol.
Vai dançar na chuva como quem não tem medo de se molhar.
Canta a tua música favorita como se ela fosse tua última canção.
Repara nas cores do mundo.
Saboreia cada coisa com presença.
Para de adiar a vida.
O amanhã é apenas uma suposição.
Agora me responde com sinceridade:
Se só te restassem alguns dias,
Tu viverias diferente?
Tens certeza de que não deixarias nenhum arrependimento para trás?
E antes que eu pudesse reagir,
Ele se virou para mim e perguntou, com os olhos firmes:
“Tu poderias dizer, de coração aberto, que morrerias feliz…
Se hoje fosse o teu último dia?”
— Becky Hemsley, 2023
Ilustrações: James Coates Fine Art
Ver mais: t.me/sobreliteraturaa

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