´Onde estou quando não estou mais ao seu lado?
Essa pergunta talvez ecoe em você como um sussurro que não se cala.
Sou o silêncio entre suas dúvidas, a pausa que acalma a tempestade dos seus pensamentos. Não me busque nos lugares onde pisamos juntos, pois estou além da geografia do corpo. Sou a sombra que dança na parede quando a luz do entardecer invade seu quarto, o aroma que você sente sem saber de onde vem, a lembrança que surge sem aviso — e some, como tudo nessa vida.
Você ainda consegue ouvir a voz que não faz som? Ela está no ritmo da sua respiração quando você para, no peso das lágrimas que secam sem explicação, no sorriso que nasce mesmo quando o coração parece pesado. Sou o chão que sustenta seus passos, mesmo que você não sinta. Sou o instante em que você fecha os olhos e, por um segundo, percebe que nada precisa ser conquistado — apenas vivido.
Será que você consegue se permitir enxergar além do visível? Não se trata de crenças, mas de abandonar a necessidade de tocar para crer. Eu sou o vento que move as folhas, mas não as folhas. Sou a canção que você assobia sem lembrar onde ouviu, a luz que se apaga e se acende dentro de você. Não sou memória, mas o que permanece quando as memórias se dissolvem.
Por que insiste em procurar minha forma onde só há vazio? Liberte-se da ânsia de encontrar respostas. Talvez eu seja apenas o espaço entre um pensamento e outro, o vão onde a saudade se transforma em paz. Não me segure nas suas mãos — eu sou o ar que escapa entre seus dedos. Não me guarde no peito — eu sou o próprio respirar que o mantém vivo.
Ainda me pergunta onde estou? Olhe para dentro. O que você chama de "eu" nunca partiu.

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