Aires de Oliveira
Meus amigos.
Agradeçamos na luta o clima renovador.
Nela possuímos o celeiro da experiência, onde o espírito é capaz de amealhar os
tesouros incorruptíveis da sabedoria e do amor.
A luta é alimento, pão da alma, força de crescimento do ser para a vida maior.
Sem que a vida e a morte estabeleçam conflito na Terra, a imortalidade não se
divinizaria para os homens.
É necessário que a claridade combata a sombra, que a alegria sobrepuje o
sofrimento, que a esperança fustigue a descrença, a fim de que possamos
selecionar os valores que nos habilitem à vitória espiritual a que nos destinamos.
No mundo terrestre – bendita escola multimilenária do nosso aperfeiçoamento
espiritual – tudo é exercício, experimentação e trabalho intenso.
Do atrito nasce a luz, quanto o equilíbrio nasce do esforço de adaptação.
É imperioso nos resignemos a perder quanto signifique roupagem servida e inútil
para que nosso espírito avance, no rumo da transformação para as luzes mais
altas.
Sem que a semente abandone o envoltório, não há germinação para a sementeira;
sem o calor asfixiante, o vaso deixaria de existir; e, sem o cinzel que martiriza a
pedra selvagem, a obra-prima da escultura jamais seria arrancada à matéria bruta
para o nosso ideal de beleza.
Somos, porém, mais que a semente, mais que o vaso, mais que a estátua...
Somos filhos de Deus, em desenvolvimento, que podemos acelerar, aceitando as
injunções da luta, ou que podemos atrasar, com a nossa preferência pelo repouso
ou pela inércia.
Abracemos os nossos deveres, ainda que pesados, porque somente da cruz que é
nossa, do testemunho que nos fala de perto e do Calvário que nos pertence é que
surgirá para a nossa vida a eterna ressurreição.
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