Qual é a maior riqueza que um ser humano pode possuir? ***

 

Diz-se que, em algum canto misterioso do Oriente, um sultão poderoso ouviu falar de uma escrava cujo valor equivalia ao de cem homens.

Não era sua beleza que encantava.

Não era sua juventude.

Era algo que não se podia tocar, pesar ou negociar: sua inteligência.

Intrigado, o sultão mandou que a trouxessem ao palácio.

Ela chegou com passos firmes, cabeça erguida e olhos que não pediam licença para existir.

— Dizem que vales mais que cem homens. Por quê? — indagou o sultão.

Ela o encarou sem medo:

— Porque em mim há uma lucidez que não se dobra ao brilho do ouro nem ao peso do poder.

O sultão, acostumado à submissão e aos elogios falsos, sorriu com desafio.

— Então provarei tua sabedoria. Uma só pergunta. Se acertas, és livre. Se erras, perderás a vida.

E perguntou:

— Qual é a maior riqueza que um ser humano pode possuir?

A jovem se virou calmamente, e antes de responder, ordenou aos guardas:

— Tragam minhas coisas e preparem um cavalo. Estou prestes a partir como mulher livre.

E então, sua resposta ecoou pelo palácio:

— A maior riqueza não se veste, se vive.

A roupa mais nobre é a que aquece no inverno e refresca no verão, mesmo sem seda nem joias.

O perfume mais puro é o cheiro de uma mãe que trabalha com as mãos manchadas de sacrifício.

A refeição mais saborosa nasce da fome — porque até o pão seco se torna um banquete quando há gratidão.

A cama mais macia é onde repousa uma consciência tranquila; pois até reis sobre colchões de ouro tremem nas madrugadas da culpa.

E o país mais belo é aquele onde o povo respira liberdade — longe das correntes dos ignorantes.

O sultão, atônito, abaixou a cabeça.

Naquele instante, entendeu que nenhum trono vale mais que uma mente desperta e um coração livre.

Ela partiu…

Mas sua resposta ficou: a verdadeira riqueza não se usa no corpo — carrega-se na alma.


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