A descoberto *****

 Cap. XXIV – Item 13

“... nada há encoberto que não haja de revelar-se,

nem oculto que não haja de saber-se.” – Jesus.

(Mateus, 10: 26)


Na atualidade, é deveras significativa a extensão do progresso humano nos

variados campos da inteligência.

Pormenores da vida microscópica são vislumbrados por olhos pesquisadores e

argutos.

Ninhos do Cosmo Infinito são tateados por delicada instrumentação astronômica.

Aparelhagem múltipla ausculta o corpo físico, desvelando-lhe a intimidade.

Experimentos inúmeros atestam a grandeza de tudo o que existe no seio da

própria Terra.

Avançando em todas as direções, o homem alcança eloquente patrimônio

intelectual, senhoreando leis e princípios que agrupam os seres e as coisas, mantendo o

equilíbrio e a ordem do Universo.

Entretanto, na razão direta do conhecimento que vai conquistando, o espírito

divisa horizontes mais vastos e fascinantes, aguçando o esforço do raciocínio.

Quanto mais conhece, mais se lhe amplia aos olhos a imensidão do desconhecido.

Quanto mais lógica no estudo, mais se lhe patenteia a exiguidade do próprio

discernimento, em face da excelsitude do Todo-Divino.

Alma alguma pode encobrir, para si mesma, as próprias manifestações no quadro

da vida e, de igual modo, perante a Lei, ninguém consegue disfarçar o menor pensamento.

Tudo pode ser descortinado, sopesado, medido...

Assim, não só a realidade ainda ignorada por nós, como também as mentalizações

e os atos de nosso próprio caminho, serão revisados e conhecidos, sempre que semelhante

medida se fizer necessária, no local exato e na época oportuna.

“Nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saberse”, esclarece o Senhor.

Recordemos, assim, o ensinamento vivo em nosso próprio passo, agindo na esfera

particular, como quem vive à frente da multidão, porquanto os nossos mínimos

movimentos, na soledade ou na sombra, podem ser também trazidos ao campo da plena luz.

Emmanuel

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