A Grande Depressão deixou cicatrizes de dor e de miséria. ***

 

Em 1935, enquanto a Grande Depressão arrastava os Estados Unidos para a fome e o desemprego, algo extraordinário surgiu nas montanhas Apalaches.

Um exército silencioso se ergueu. Não empunhava espingardas nem baionetas, mas carregava alforjes pesados, repletos de livros.

Chamavam-nas de Mulheres do Livro. Eram filhas de mineiros, jovens mães, viúvas de guerra. Montadas em cavalos ou mulas, desafiavam barrancos, nevascas e trilhas intransponíveis com uma missão tão simples quanto grandiosa: levar esperança escrita em páginas.

Semana após semana, cavalgavam entre 160 e 320 quilômetros, distribuindo romances, almanaques, receitas e revistas já gastas pelo tempo. Nas casas mais pobres, crianças aguardavam nos alpendres, olhos brilhando para ouvir histórias que, por um instante, as arrancavam da fome. As esposas de mineiros copiavam receitas inalcançáveis, rabiscando nas margens pequenas notas de fé, como se os ingredientes pudessem um dia aparecer. Agricultores examinavam antigos mapas meteorológicos, sonhando com a chuva que salvaria suas colheitas.

Quando o programa chegou ao fim, em 1943, em meio à guerra, mais de 100 mil livros já haviam sido entregues a 100 mil pessoas.

Elas não foram apenas bibliotecárias. Foram portadoras de vida.

Porque em tempos de desespero, quando o pão falta à mesa, os livros também alimentam.

A Grande Depressão deixou cicatrizes de dor e de miséria.

Mas também deixou a memória imortal de mulheres que, cavalgando entre tempestades, levaram às pessoas o mais precioso dos tesouros: histórias capazes de manter viva a alma de um povo.


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