Sofres cansaço da vida, dissabores domésticos, deserção de amigos, falta de
alguém...
Por isso, acordaste sem paciência, tentando esquecer.
Procuraste espetáculos públicos que te não distraíram e usaste comprimidos
repousantes que não te anestesiaram o coração.
Entretanto, para teu reconforto, pelo menos uma vez por semana, sai de ti mesmo
e busca na caridade a escola da bênção.
Em cada compartimento aprenderás diversas lições ao contacto daqueles que leem
na cartilha das dores que desconheces.
Surpreenderás o filme real da angústia no martírio silencioso dos que jazem num
catre de espinhos, sem se queixarem, e a emocionante novela das mães sozinhas que
ofertam, gemendo, aos filhos nascituros a concha do próprio seio como prato de lágrimas.
Fitarás homens tristes, suando penosamente por singela fatia de pão, como atletas
perfeitos do sofrimento, e os que disputam valorosamente com os animais um lugar de
repouso ao pé de ruínas em abandono.
Observarás, ainda mais, os paralíticos que sonham com a alegria de se arrastarem,
os que se vestem de chagas esfogueantes, suplicando um momento de alívio, os que choram
mutilações trazidas do berço e os que vacilam, desorientados, na noite total da loucura.
Ver-te-ás, então, consolado, estendendo consolo, e, ajustado a ti mesmo, volverás
ao conforto da própria casa, murmurando, feliz:
– Obrigado, meu Deus!
Meimei
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