Escola da bênção ***

Sofres cansaço da vida, dissabores domésticos, deserção de amigos, falta de

alguém...

Por isso, acordaste sem paciência, tentando esquecer.

Procuraste espetáculos públicos que te não distraíram e usaste comprimidos

repousantes que não te anestesiaram o coração.

Entretanto, para teu reconforto, pelo menos uma vez por semana, sai de ti mesmo

e busca na caridade a escola da bênção.

Em cada compartimento aprenderás diversas lições ao contacto daqueles que leem

na cartilha das dores que desconheces.

Surpreenderás o filme real da angústia no martírio silencioso dos que jazem num

catre de espinhos, sem se queixarem, e a emocionante novela das mães sozinhas que

ofertam, gemendo, aos filhos nascituros a concha do próprio seio como prato de lágrimas.

Fitarás homens tristes, suando penosamente por singela fatia de pão, como atletas

perfeitos do sofrimento, e os que disputam valorosamente com os animais um lugar de

repouso ao pé de ruínas em abandono.

Observarás, ainda mais, os paralíticos que sonham com a alegria de se arrastarem,

os que se vestem de chagas esfogueantes, suplicando um momento de alívio, os que choram

mutilações trazidas do berço e os que vacilam, desorientados, na noite total da loucura.

Ver-te-ás, então, consolado, estendendo consolo, e, ajustado a ti mesmo, volverás

ao conforto da própria casa, murmurando, feliz:

– Obrigado, meu Deus!

Meimei

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