A escolha entre fé e medo é íntima, silenciosa e constante. """"

Chico Xavier ensinava que tanto a fé quanto o medo exigem o mesmo movimento interior, acreditar em algo que ainda não pode ser visto, tocado ou comprovado. Ambos nascem no invisível, alimentam-se do pensamento e se instalam no coração antes de qualquer acontecimento real. A diferença profunda entre eles não está na intensidade da crença, mas no caminho espiritual que cada uma constrói dentro de nós.

O medo projeta cenários que ainda não existem. Ele antecipa dores, cria ameaças imaginárias e faz o espírito sofrer por acontecimentos que talvez jamais se realizem. É uma crença silenciosa no pior desfecho, uma entrega contínua às sombras do amanhã. Quem vive pelo medo cansa antes da jornada, adoece antes da prova e se fragiliza por batalhas que nunca chegaram a acontecer.

A fé, por sua vez, também acredita sem ver, mas escolhe confiar. Ela não nega as dificuldades, nem ignora os desafios, apenas se recusa a entregar o coração ao desespero. A fé reconhece que existe uma inteligência maior conduzindo os processos da vida, mesmo quando tudo parece confuso. Onde o medo paralisa, a fé sustenta. Onde o medo rouba a paz, a fé preserva a esperança.

Chico lembrava que ninguém vive sem acreditar em algo. Todos escolhem diariamente no que irão depositar seus pensamentos, suas emoções e sua energia espiritual. A questão não é se você acredita, mas em quê. Quando se acredita no medo, alimenta-se aquilo que enfraquece. Quando se acredita na fé, fortalece-se aquilo que cura, ampara e esclarece.

A escolha entre fé e medo é íntima, silenciosa e constante. Ela se renova a cada pensamento, a cada reação, a cada expectativa. A fé não promete ausência de dor, mas garante sentido. O medo não impede o sofrimento, apenas o antecipa. No fim, acreditar é inevitável. Escolher onde repousar o coração é o verdadeiro exercício da liberdade espiritual.


Diário Espírita



 

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