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Após a morte de sua esposa, ele tomou uma decisão que poucos teriam coragem de tomar.

Decidiu não substituir a bateria do próprio marca-passo e permitir que a vida seguisse o seu curso natural.

Nos seus últimos dias, havia apenas um nome ocupando seus pensamentos: Gloria.

James “Jimmy” Stewart — o ator eternizado em A Felicidade Não se Compra — foi, durante anos, o solteiro mais cobiçado de Hollywood. Reservado, íntegro, profundamente avesso à exposição pessoal. Mas toda a fama perdeu o brilho numa noite de 1948, quando conheceu Gloria Hatrick McLean em um jantar aparentemente comum.

Ele tinha 40 anos. Ela era ex-modelo, atriz, divorciada e mãe de dois filhos. Jimmy diria mais tarde que foi amor imediato — sem drama, sem espetáculo, sem hesitação. Um amor adulto, silencioso e sólido. Casaram-se em 1949 e permaneceram juntos por quase 45 anos, algo raro em um meio onde relações costumam ser passageiras.

Quando Gloria morreu, algo essencial nele se quebrou. Sua saúde já era frágil. O coração batia graças a um marca-passo, e os médicos foram claros: bastaria trocar a bateria — um procedimento simples — para prolongar sua vida.

Jimmy recusou.

Não houve discursos, entrevistas nem gestos teatrais. Apenas uma decisão íntima, tomada em silêncio. Para ele, continuar vivendo sem Gloria não fazia sentido. Não era desespero nem exibicionismo — era lealdade.

Durante décadas, Stewart interpretou na tela o arquétipo do homem americano honesto e contido, mas também deu vida a personagens sombrios e atormentados sob a direção de Alfred Hitchcock. Fora do cinema, viveu com a mesma sobriedade: sem escândalos, sem excessos, sem ruído.

Nascido em 1908, filho de um ferreiro, estudou arquitetura antes de o teatro mudar seu destino. Em Nova York, dividiu apartamento com outro jovem ator ainda desconhecido: Henry Fonda. Durante a Segunda Guerra Mundial, não se limitou a apoiar de longe — voou missões de combate na Europa e alcançou o posto de general de brigada na reserva.

Casou-se tarde, mas plenamente. Em 1951, ele e Gloria tiveram filhas gêmeas. Quando ela morreu, nem a guerra, nem a honra, nem a fama o haviam preparado para aquela ausência.

Jimmy Stewart faleceu em 1997, em casa, cercado pelos filhos. Aqueles que estiveram ao seu lado afirmam que, até o fim, seus pensamentos estavam nela.

Ele conquistou os céus como soldado e a história do cinema como lenda.

Mas talvez seu maior ato de coragem tenha sido outro: a fidelidade.

Porque uma vida verdadeiramente maravilhosa não se mede pelos anos que se prolongam,

mas pelo amor ao qual se escolhe permanecer leal — até o último batimento.


Estudos Históricos

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