Cabeça grande e cabeça pequena ¨¨¨¨

 

Cabeça grande e cabeça pequena

"Na observação da criança pequena, estudamos diferentes aspectos. Entre eles, os tipos constitucionais que são apresentados em duplas: criança de cabeça grande e criança de cabeça pequena; criança terrena e criança cósmica e criança rica em fantasia e criança pobre em fantasia.

Observemos que, antes mesmo do nascimento, admirável é a cabeça desproporcionalmente grande do feto. Por ocasião do nascimento, é o órgão mais perfeitamente formado e podemos observar como, dia após dia, os traços fisionômicos se tornam mais pronunciados, mais claros e individuais.

A cabeça da criança de peito, que é exageradamente grande. Ela ganha, pouco a pouco, durante o crescimento, a relação harmoniosa que possui, no ser humano crescido, com o resto do organismo. Mas isso é um processo que ocorre de maneira muito diversa e talvez nunca igual para duas crianças.

Há crianças nas quais a cabeça é desproporcionalmente grande – sem que haja diretamente hidrocefalia ou raquitismo cerebral. Embora pouco a pouco surja uma certa harmonia, permanece, porém, a impressão de que estamos diante de uma criança “cabeça grande”.

Quando bebês, são quietinhas, passam horas brincando no berço, mamam e comem bem, com atitudes contemplativas e sonhadoras, muita fleuma, alegres. Mas, se as forças metabólicas (predominantes nas crianças de cabeça grande) continuam ativas e operantes além do tempo adequado de desenvolvimento, então a cabeça permanece relativamente grande demais, permanece demasiadamente órgão vital ao invés de se tornar órgão da consciência, significando que o sistema neurossensorial não está harmonicamente integrado aos outros membros. São crianças que caem com facilidade para frente ao andar ou correr, como se o peso da cabeça as atraísse para a terra. Mas também brincam maravilhosamente, com uma fantasia abundante, em casa e na escola. São capazes de observar a natureza com muita exatidão e sentimento. O período escolar será quase sempre um fardo pesado para este tipo de criança. De repente, ela precisa dominar sua natureza sonhadora, brincalhona.

Exatamente para tais crianças, uma orientação artística do ensino seria de enorme importância para seu bem-estar corporal e seu processo anímico. Deveriam receber as letras a partir de quadros artísticos simples e serem introduzidas no mundo dos números por meio de ritmo (movimento, saltos, palmas). Assim seriam “acordadas” e tornadas conscientes de maneira despercebida e sem danos.

A conformação física da criança não existe somente para a alegria de pais e educadores quando revela formação normal e sadia, mas é ela que lhes pode dar os melhores esclarecimentos sobre a conformação anímica da criança e, por isso, deve ser constantemente olhada com renovado carinho.

Do lado oposto da criança de cabeça grande, estão as que, desde cedo, são boas e perfeitas observadoras, com imagens sensoriais e ideias definidas. As brincadeiras ocorrem com raciocínio, mas faltam forças de fantasia e imaginação. São as chamadas crianças de cabeça pequena.

Querem brincar com brinquedos reais como, por exemplo, trens que pareçam reais e não com um pedaço de madeira que pode virar um trem, depois uma boneca, depois um carro, etc... São as crianças que, sem nenhuma vantagem para seu desenvolvimento podem se ocupar, por horas, com jogos mecânicos, construídos sistemática e minuciosamente.

São crianças que estão sempre um pouco tensas; comem de maneira apressada; impulsivas; também podem facilmente ficar mal-humoradas e coléricas. Essas crianças precisam ser estimuladas para despertarem a fantasia e imaginação. Atividades artísticas, música e euritmia ajudam estas crianças a liberarem a fantasia que está, de certo modo, contida. É um trabalho interior e exterior que o professor pode ajudar.

Quando a criança de cabeça pequena desenhar ou pintar terá desde o início noções sobre aquilo que deve ser representado. Primeiramente serão desenhos “pobres”, porque ela não tem uma imaginação ricamente povoada. O que ela produz com esforço e perfeição, não parece artístico, ao contrário da criança de cabeça grande.

Elas precisam pintar muita aquarela, ouvir muitas histórias contadas de maneira figurativa (contos de fadas, lendas, mitos), compensando seu acentuado interesse por tudo que é mecânico e técnico. Não significa que devam ser reprimidas e sim auxiliadas a despertar os outros interesses. 

O objetivo da Pedagogia Waldorf é levar equilíbrio para a criança sair da polarização e chegar ao equilíbrio, através de condutas adequadas para cada tipo de criança.

Quando a criança entra para a escola a principal tarefa do professor e do médico, é dar suporte para a formação desta esfera do meio, tanto pedagógica quanto terapeuticamente (harmonização), pois é nesta esfera em que as necessidades pessoais e as questões com o mundo devem ser harmonizadas, na qual nos sentimos como verdadeiramente humanos."

Trecho do texto de Rosa Crepaldi - Pedagoga, psicopedagoga e ex-professora EWFA


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