Os Espíritos contam que, antes de chegarmos aqui, muitos afetos se oferecem para nos acompanhar. Nem sempre como pai ou mãe no papel visível, mas como proteção discreta, presença que ampara sem tomar o lugar de ninguém. É por isso que algumas madrinhas parecem ter um amor que não cabe na lógica do “somos só conhecidos da família”. Há um reconhecimento antigo ali, um tipo de cuidado que vem de longe, como se a alma lembrasse antes da memória.
Na visão espírita, os vínculos não nascem do acaso. Eles se formam por afinidade, por compromissos de aprendizado, por reencontros planejados com ternura no que se chama programação reencarnatória. Em certas histórias, a madrinha surge como guardiã do recomeço: aquela que, em outras existências, já embalou, protegeu, educou, e retorna agora com outra roupa, outro nome, mas o mesmo impulso de zelar.
Talvez por isso sua palavra acalme de um jeito diferente. Talvez por isso sua presença firme uma segurança que parece casa. Porque, quando o amor é antigo, ele não precisa de explicação. Ele simplesmente sabe onde tocar. E há madrinhas que carregam, sem alarde, uma maternidade espiritual: não a que prende, mas a que abençoa; não a que exige, mas a que sustenta.
Se você teve uma madrinha assim, honre. Pode ser reencontro de mãe, de filha, de irmã de alma. Pode ser um laço que a vida reapresentou para lembrar ao coração que nenhum amor verdadeiro se perde. Ele apenas muda de lugar na árvore da existência, mas continua sendo raiz.

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