O amor que nos tece não se rompe com a morte do corpo. É fio invisível que a alma reconhece, mesmo quando o mundo silencia o nome e a fotografia descansa na moldura.
A Doutrina Espírita chama esse fio de afinidade, perseverando além do túmulo, porque espírito não se extingue, apenas muda de endereço.
Chico Xavier, por Emmanuel e André Luiz, descreveu mães que velam os filhos do outro lado, sustentando-os em noites de angústia com preces que atravessam paredes.
Divaldo Franco narrou encontros consoladores em que o carinho reencontrado devolve sentido ao caminho. Yvonne Pereira, em páginas de delicadeza, mostrou amores que se buscam de século em século, depurando-se como ouro no fogo brando do tempo.
O vínculo verdadeiro não escraviza; educa. Quando a separação física vem, não somos órfãos da luz. Somos convidados à maturidade e à confiança.
O pranto tem lugar, mas a fé pede ação: oração que pacifica, caridade que transforma saudade em serviço, disciplina afetiva que permite ouvir, no silêncio íntimo, a presença dos que nos amam. A comunhão entre planos se faz pelo coração afinado: pensamentos elevados são endereços exatos e a resposta chega em forma de intuição e coragem.
O cemitério não é porto final, é estação de passagem. A lápide guarda o corpo, não o afeto. A vida continua, e com ela compromissos, reparações e promessas de permanecer juntos pelo bem.
Quando amamos de verdade, aprendemos a amar com responsabilidade, sem apego doentio, oferecendo liberdade para que cada um cumpra sua lição. O amor maduro sabe esperar, servir e agradecer. Ao lembrar de quem partiu, acenda uma vela no templo da consciência, leia uma página edificante, pronuncie o nome com ternura e trabalhe pelo próximo. Quem ama é amparado, aqui ou além, pois o amor rege mundos e dá sentido ao destino.

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