Richard, meu marido, quase nunca falava sobre o tempo que passou no Vietnã ¨¨¨¨

 

Richard, meu marido, quase nunca falava sobre o tempo que passou no Vietnã. A única coisa que mencionava era que havia sido baleado por um franco-atirador. Ainda assim, um de seus bens mais preciosos era uma foto 8×10, granulada e em preto e branco, tirada por ele mesmo em um show da USO — Ann-Margret na frente, Bob Hope logo atrás.

Anos depois, Ann-Margret faria uma sessão de autógrafos em uma livraria da nossa cidade. Richard sonhava em pedir que ela assinasse aquela foto tão especial, então chegou ao meio-dia para um evento que só começaria às 19h30. Quando me juntei a ele depois do trabalho, a fila dava a volta na livraria, rodeava o estacionamento e se estendia até atrás de uma garagem próxima.

Pouco antes de Ann-Margret aparecer, os funcionários avisaram: ela só assinaria o livro — nada de fotos ou objetos pessoais. Richard ficou decepcionado, mas mesmo assim queria mostrar a foto e agradecer pelos shows que, para soldados solitários tão longe de casa, significaram mais do que palavras podem dizer.

Quando Ann-Margret chegou — ainda tão bela quanto antes — Richard, segundo da fila, aproximou-se da mesa. Entregou o livro para ela assinar e, com cuidado, retirou a foto. Imediatamente os funcionários o alertaram de que ela não poderia autografá-la.

“Eu entendo”, Richard disse. “Só queria que ela visse.”

Ela olhou para a foto, e os olhos se encheram de lágrimas.

“Este é um dos meus rapazes do Vietnã”, disse. “E é claro que vou assinar a foto dele. Eu sei o que esses homens fizeram por seu país, e sempre tenho tempo para os meus rapazes.”

Então puxou Richard para perto e lhe deu um beijo carinhoso. Falou com emoção sobre a coragem dos jovens que conhecera em tantos anos de visitas, como os admirava, e o quanto era agradecida pelo serviço deles. Quem estava por perto dificilmente segurou as lágrimas. Ela tirou fotos com Richard e o tratou como se fosse a única pessoa naquele lugar.

Aquela noite transformou meu marido. Ele passou a caminhar mais ereto, com um orgulho novo no olhar. Pela primeira vez em anos, sentiu-se verdadeiramente honrado por ter sido um veterano. Nunca esquecerei a bondade de Ann-Margret — nem o quanto aquele gesto significou para ele.

Mais tarde, no jantar, Richard estava incomumente calado. Perguntei se queria conversar, e meu marido — forte, grande, invencível aos meus olhos — desabou em lágrimas.

“Essa foi a primeira vez que alguém me agradeceu pelo meu serviço no Exército”, ele disse.

Desde então, faço questão de agradecer a todas as pessoas que encontro e que serviram nas Forças Armadas. A liberdade nunca é gratuita, e sou profundamente grata a todos que já vestiram um uniforme.


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