Sarah Murphy foi prova da força que a necessidade pode despertar ¨¨¨¨

 

Em 28 de julho de 1906, Sarah Murphy tinha apenas onze anos quando segurou um recém-nascido nos braços após um parto exaustivo em um apartamento no Lower East Side, em Nova York. Ao lado da avó, parteira experiente da comunidade, ela havia passado doze horas ajudando a trazer aquela criança ao mundo.

Sarah começou a acompanhar a avó aos nove anos. A família era pobre, e aprender o ofício de parteira era uma das poucas oportunidades de sustento disponíveis para mulheres. Em pouco tempo, ela já havia presenciado dezenas de nascimentos. Aprendeu a manter a calma, a ajudar em situações difíceis e a agir com firmeza quando cada minuto importava.

A avó, Margaret Murphy, trabalhava havia mais de quatro décadas como parteira. Com a idade avançando e as mãos já não tão firmes, passou a depender da neta para o trabalho físico, enquanto oferecia orientação e experiência. Sarah demonstrava habilidade e serenidade incomuns para alguém tão jovem — qualidades que tranquilizavam as mães em trabalho de parto.

O parto registrado na fotografia foi especialmente delicado. A mãe, Rosa Esposito, enfrentou complicações sérias, e por um momento houve temor de que não sobrevivesse. Mas, trabalhando juntas, avó e neta conseguiram estabilizá-la e trazer ao mundo um bebê saudável. A imagem mostra Sarah segurando a criança, exausta, mas orgulhosa do que havia ajudado a realizar.

As condições eram difíceis. Os partos aconteciam em apartamentos apertados, com poucos recursos, iluminação precária e quase nenhuma assistência médica formal. Parteiras como Margaret eram essenciais para as famílias imigrantes que não tinham acesso a hospitais.

A rotina, porém, custava caro à infância de Sarah. Ela conciliava o pouco tempo de escola com longas horas de trabalho. Cresceu cercada por responsabilidades adultas, aprendendo cedo demais sobre dor, risco e resistência.

Mesmo assim, Sarah continuou na profissão por toda a vida. Trabalhou como parteira até 1965, ajudando a trazer ao mundo milhares de crianças. Também lutou pelo reconhecimento e regulamentação da profissão, defendendo melhor formação para parteiras tradicionais.

A fotografia daquele dia de 1906 revela uma imagem poderosa: uma menina ainda pequena demais para o mundo que já carregava nos ombros, mas firme o suficiente para sustentar nova vida nos braços.

Sarah Murphy foi prova da força que a necessidade pode despertar — mas também do preço que tantas crianças pagaram ao crescer cedo demais.


Estudos Históricos


Comentários