Sentei-me para escrever o que o coração, em prantos,
se recusava a dizer em palavras diretas.
Hoje, deixo o peso de nós dois sobre este papel,
não como quem desiste, mas como quem entende
que o amor, às vezes, floresce melhor na distância.
Cada passo ao teu lado foi um presente,
um mosaico de risos, lágrimas e sonhos partidos,
mas, no espelho do tempo, vejo que me perdi
tentando segurar o que, aos poucos, escorria pelos dedos.
E que ironia... amar tanto e, ainda assim,
ter que soltar o que mais se queria abraçar.
Esta despedida não é de mágoa,
não há culpa em teus gestos,
nem rancor em minhas palavras.
Há, sim, a aceitação amarga
de que, mesmo com todo o esforço,
nossas almas já não dançam no mesmo ritmo.
Deixei de ser a fortaleza que te sustentava
e passei a ser o peso que te ancorava no mesmo lugar.
E você, que sempre foi meu porto seguro,
agora é o mar revolto que não posso mais navegar.
Quero que saibas, ao fechar este capítulo,
que não te desejo nada além do brilho
que teu sorriso sempre trouxe ao mundo.
Que sigas em frente sem olhar para trás,
pois a estrada que agora trilho
é de solidão, mas também de renascimento.
Prometo levar comigo o melhor de ti,
as lembranças que me farão sorrir
quando a saudade vier como vento frio.
E espero que guardes de mim
os pedaços bons, aqueles que te fizeram feliz,
ainda que por um breve momento.
Não é fácil soltar o que o coração ainda quer segurar.
Mas, às vezes, o amor mais puro
é aquele que entende quando é hora de partir.
E, assim, deixo estas palavras como um último abraço,
suave e eterno, para que sintas que sempre estarás em mim.
Adeus, meu amor,
mas que este adeus seja a semente
de um futuro em que ambos
possamos finalmente florescer.
Essa é a minha carta de despedida...

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