Em 1943, a Marinha dos Estados Unidos cometeu um erro histórico de avaliação: recusou Grace Hopper. ***
Em 1943, a Marinha dos Estados Unidos cometeu um erro histórico de avaliação: recusou Grace Hopper.
Ela tinha 37 anos e possuía doutorado em Matemática por Yale, mas, para os recrutadores, era considerada “velha demais”, estava cerca de 6,8 kg abaixo do peso exigido e, além disso, era mulher.
Naquele período, a ideia de uma mulher trabalhando com tecnologia militar era vista quase como algo risível pelos altos oficiais.
Eles estavam enganados. Grace não apenas conseguiu entrar na Marinha, como também chegou ao posto de almirante.
Foi designada a um desafio que parecia impossível: o Harvard Mark I, um computador com cerca de 5 toneladas e 750 mil componentes, que operava fazendo barulho enquanto calculava trajetórias de artilharia. Naquela época, programar era extremamente difícil; era necessário escrever em “código de máquina”, uma longa sequência de zeros e uns compreendida apenas pelas máquinas.
Grace levantou uma questão que incomodou muitos especialistas: “Por que os seres humanos precisam falar como máquinas? Por que não ensinamos as máquinas a falarem como nós?”
A comunidade científica reagiu com deboche. Diziam que isso era inviável, pois os computadores só lidavam com números. Ignorando as críticas, Grace criou o primeiro compilador, uma ferramenta que permitia escrever comandos em inglês para que o computador os executasse.
Assim nasceu o COBOL.
Hoje, mais de 70 anos depois, o impacto de Grace Hopper pode ser comparado ao sistema circulatório da economia global. Sempre que você:
Saca dinheiro em um caixa eletrônico (cerca de 95% operam com COBOL),
Faz um pagamento com cartão de crédito em uma loja,
Reserva uma passagem aérea,
Recebe um benefício da previdência,
Você está utilizando a linguagem que Grace defendeu quando muitos diziam que ela estava perdendo tempo.
Grace também foi uma educadora memorável. Tornou-se conhecida por distribuir pedaços de cabo com 29,9 cm, exatamente a distância que a luz percorre em um nanossegundo. “Para que entendam por que não podem desperdiçar tempo”, dizia aos generais.
Ela se aposentou aos 79 anos como a oficial mais velha em atividade. Ficou conhecida como “Amazing Grace”, embora preferisse ser chamada de almirante. Provou que a tecnologia deve servir às pessoas e que a frase mais perigosa que existe é: “Sempre fizemos assim”.
Na próxima vez que você usar seu celular ou cartão, lembre-se da mulher que não aceitou um “não” como resposta e decidiu que o futuro deveria falar a nossa língua.

Comentários
Postar um comentário