Seu Osvaldo era o homem que todo mundo queria abraçar. Durante trinta anos, ele foi o dirigente máximo de uma casa de oração no interior do país. Ele era a imagem irretocável da bondade. Distribuía sopa nas madrugadas frias, chorava copiosamente durante as palestras e tinha sempre uma palavra de consolo para as mães desesperadas que batiam à sua porta em busca de alento.
As pessoas faziam fila para beijar a mão dele. Diziam que ele era um santo encarnado, um verdadeiro missionário.
Mas a vida espiritual tem olhos que atravessam paredes e enxergam muito além das roupas brancas.
Por trás daquele sorriso manso e acolhedor, Osvaldo escondia um abismo de ganância e crueldade. Ele usava a reputação ilibada do centro e a confiança cega dos fiéis para desviar doações vultosas de empresários locais. Falsificava assinaturas de pessoas vulneráveis e idosas que o procuravam em busca de conselhos, tomando posse de pequenos terrenos e das economias de uma vida inteira.
Cometia fraudes cruéis, deixando famílias na ruína, apenas para sustentar uma vida de luxo em uma cidade vizinha, onde ninguém conhecia o seu nome religioso.
Ele não tinha o menor peso na consciência. Na cabeça adoecida dele, a matemática divina era simples: se ele roubava de um lado, mas distribuía cobertores e sopa do outro, a balança estava equilibrada. Ele usava o sagrado como um escudo, um suborno para tentar comprar o silêncio de Deus.
O mais assustador é que a casa que ele dirigia não era uma farsa. A luz ali era real. O consolo chegava e os mentores espirituais, liderados por um médico desencarnado de extrema elevação, estavam sempre presentes de forma vibrante. Os médiuns e os frequentadores viam os espíritos caminhando pelos corredores, trabalhando sem parar, sempre circulando muito próximos ao dirigente.
Osvaldo sentia a energia deles o tempo todo. Ele via o centro lotar, sentia o arrepio da presença dos guias ao seu redor e sorria orgulhoso. Ele acreditava que aquela aproximação era a prova definitiva de que o alto aprovava os seus métodos e fechava os olhos para os seus deslizes. Na arrogância dele, os espíritos eram seus cúmplices e protetores.
Até a noite em que o coração dele simplesmente decidiu parar de bater.
Não houve tempo para confissões, não houve cama de hospital nem despedidas emocionadas. Osvaldo caiu sozinho no tapete persa do seu apartamento luxuoso secreto, vítima de um infarto fulminante.
Quando ele abriu os olhos e retomou a consciência, o cenário não era a colônia de luz que ele havia desenhado na mente por décadas. Ele estava em uma sala imensa, fria, de paredes cinzentas e úmidas. Diante dele não havia uma multidão aplaudindo, mas estava lá o mentor espiritual da sua casa, o médico iluminado que ele tantas vezes evocou no microfone.
Osvaldo abriu os braços, respirando aliviado e ostentando o seu típico sorriso confiante.
Meu amigo e protetor! Que imensa alegria ver que o senhor veio me recepcionar. Onde estão as multidões que ajudei? Onde está o meu lugar de descanso depois de trinta anos de tanta caridade e sacrifício ininterrupto?
O mentor olhou para ele com uma compaixão dolorosa, carregando uma tristeza que cortava mais fundo que uma lâmina. Não havia julgamento humano ali, apenas a frieza implacável da lei de retorno.
Osvaldo, a caridade que alimentou os famintos, que enxugou as lágrimas das mães e acolheu os doentes naquelas paredes nunca foi sua. Fomos nós, os trabalhadores do invisível, que a realizamos em cada minuto daqueles trinta anos.
O ex-dirigente abaixou os braços lentamente, com o sorriso desaparecendo do rosto, tomado por uma confusão angustiante.
Como assim não foi minha? Eu fundei aquela casa! Eu coordenava tudo! Os senhores estavam sempre do meu lado, me acompanhando em cada passo, elogiando as obras!
Nós nunca estivemos do seu lado para abençoar os seus passos.
O mentor deu um passo à frente, e a luz que emanava dele refletiu nas mãos de Osvaldo. No mundo espiritual, a verdade toma forma. O dirigente olhou para as próprias mãos e viu que elas estavam cobertas por uma lama escura e pegajosa, pesadas, exalando o cheiro das lágrimas que ele provocou em segredo naqueles que confiavam nele.
Nós não podíamos abandonar os doentes, os famintos e os desesperados que procuravam socorro naquelas portas de boa-fé. A dor deles era verdadeira. Mas nós conhecíamos cada centavo que você roubou, cada lágrima das viúvas que você arruinou, cada documento que você fraudou usando o nome da fé. Nós só andávamos colados ao seu lado todos esses anos para tentar proteger as pessoas de você.
O ar faltou nos pulmões espirituais de Osvaldo. Ele recuou, tremendo dos pés à cabeça, tentando limpar a lama das mãos na roupa, mas a mancha apenas se espalhava. O silêncio daquela sala cinzenta foi quebrado por um rangido. As portas pesadas atrás do mentor começaram a se abrir devagar.
A caridade que passou pelas suas mãos ficou na Terra para quem precisava dela, meu irmão. Você era apenas um cano sujo por onde nós fazíamos um imenso esforço para a água limpa passar e matar a sede dos aflitos. O mérito de matar a sede pertence à água, não ao cano. A água ficou lá, e você trouxe para cá apenas a sua própria sujeira.
O mentor se virou lentamente e começou a caminhar em direção a um feixe de luz distante, deixando o ex-dirigente paralisado para trás.
Quando a porta cinzenta se abriu por completo, a ilusão de Osvaldo desmoronou para sempre. Não havia uma multidão de rostos gratos esperando por ele. O que entrou naquela sala escura foi uma legião de feições deformadas pela dor, pelo ódio e pela revolta profunda. Eram os seus verdadeiros credores.
As almas que ele havia enganado, manipulado e destruído no escuro, que agora o aguardavam ansiosamente para cobrar cada centavo usurpado, naquele lado da vida onde as roupas brancas não escondem mais ninguém.

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