As pessoas que você atrai não chegam por simples acidente. Muitas vezes, elas revelam aquilo que você ainda não conseguiu enxergar em si.
O que chamam de “azar no amor” nem sempre é azar. Às vezes, é repetição. É uma ferida antiga escolhendo de novo, com outro rosto, a mesma dor.
A carência se impressiona com migalhas. A baixa autoestima confunde controle com cuidado. O medo da solidão aceita ausências, frieza e desrespeito, só para não encarar o vazio de partir.
Isso não significa que a culpa é sua pelo comportamento do outro. Ninguém merece ser ferido, manipulado ou desvalorizado. Mas chega um momento em que a pergunta precisa mudar: não apenas “por que essa pessoa fez isso comigo?”, mas “por que eu permaneci onde minha alma adoecia?”
Relacionamentos disfuncionais se alimentam de encaixes dolorosos. O controlador procura quem se anula. O indiferente se aproxima de quem implora. O salvador se prende a quem nunca quis ser salvo. E a repetição continua até que alguém tenha coragem de romper o papel que aprendeu a representar.
Você não se apaixona apenas com o coração. Muitas vezes, se apaixona com a parte mais ferida de si. E, enquanto essa parte escolher por você, o amor parecerá sempre prova, espera, angústia e abandono.
Curar-se é parar de negociar o próprio valor.
À medida que você se fortalece, seus vínculos mudam. Não porque o mundo fica perfeito, mas porque você deixa de abrir a porta para quem só sabe entrar bagunçando tudo.
O amor que combina com a sua paz não exige que você diminua para caber.

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