Há pessoas que parecem destinadas a viver — mesmo quando tudo diz o contrário. ===

 

Em janeiro de 1972, um simples erro de escala colocou a comissária de bordo Vesna Vulović, de 22 anos, em um voo que, segundo ela própria contaria depois, não era o que lhe tinha sido destinado. Outra funcionária, com o mesmo primeiro nome, deveria ter assumido o lugar — mas a troca passou despercebida, e Vesna se apresentou normalmente, sem imaginar o que estava por vir.

Quarenta e seis minutos após a decolagem do voo JAT 367, que partira de Copenhague, uma bomba escondida no compartimento de bagagens explodiu em pleno ar. O avião não perdeu altitude aos poucos; ele simplesmente se despedaçou a mais de 10.160 metros, já sobre a então Checoslováquia.

Todos foram arremessados para o vazio.

Menos Vesna.

Ela estava na parte traseira da aeronave no momento da explosão. Um carrinho de serviço foi lançado contra ela, esmagando-a e deixando-a presa dentro de um pedaço da fuselagem. E foi exatamente isso que lhe garantiu a sobrevivência: enquanto os outros passageiros eram lançados para o céu aberto, Vesna permaneceu encarcerada naquele cilindro metálico que despencava.

A seção da cauda caiu por mais de 10 quilômetros, até atingir uma colina coberta de neve nos arredores de uma pequena cidade. A neve fofa, o terreno inclinado e as árvores amorteceram parte do impacto, evitando que o compartimento fosse destruído por completo.

No silêncio dos destroços, algo se mexeu.

Era ela — ainda viva.

Quem a encontrou foi Bruno Honke, um morador local e ex-socorrista militar. Entre a neve e o metal retorcido, encontrou uma jovem respirando, algo que nenhum ser humano deveria conseguir após uma queda daquela altura.

Os ferimentos de Vesna eram gravíssimos: fratura no crânio, três vértebras quebradas, pernas partidas, pélvis destruída e costelas fraturadas. Os médicos avisaram a família para esperar o pior e, caso ela sobrevivesse, alertaram que dificilmente voltaria a andar.

Mas eles não conheciam Vesna Vulović.

Após meses de cirurgias, fisioterapia e recuperação dolorosa, ela voltou a ficar de pé. Sua reabilitação surpreendeu os próprios médicos que, no início, duvidavam que ela sequer sobreviveria.

E mais: voltou a trabalhar para a mesma companhia aérea.

Não desenvolveu medo de voar.

E se transformou em heroína nacional na antiga Iugoslávia.

Vesna também mantém, até hoje, um recorde impressionante: a maior queda já sobrevivida por um ser humano sem paraquedas, oficialmente reconhecida pelo Guinness World Records.

A confusão que a colocou naquele voo poderia ter encerrado sua história antes que ela realmente começasse.

Em vez disso, acabou dando ao mundo um dos relatos de sobrevivência mais extraordinários já registrados.

Há pessoas que parecem destinadas a viver — mesmo quando tudo diz o contrário.



Historia Perdida


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