Chico Xavier contava, com os olhos marejados, que o Espírito mais iluminado que ele viu em toda a sua vida não foi um anjo, nem um guia celeste, mas um jovem soldado romano.
Segundo narrou Emmanuel, esse rapaz havia sido acusado pelas autoridades da época de esconder Jesus, durante um breve período em que o Mestre esteve ausente dos olhos públicos.
Soldado simples, de apenas 18 anos, foi denunciado pelos próprios companheiros por ser cristão e, segundo diziam, saber onde Jesus se escondia.
Levaram-no à presença de uma autoridade. E com a firmeza inocente dos que não temem pela própria alma, o jovem foi interrogado:
— Onde está Jesus? Você sabe. Diga agora, onde Ele se escondeu?
Chico relatava que não conseguia repetir esse momento sem se emocionar, pois Emmanuel, ao lhe contar, revelou que o médium tivera uma visão espiritual completa da cena.
O jovem, de pé, sem hesitar, respondeu com fé serena:
— Queres encontrar Jesus? Ele está aqui… no meu coração.
A resposta, embora pura, despertou fúria.
— Ah, é? Pois então arranquem-lhe o coração! — ordenou a autoridade, sem piedade.
E ali mesmo, diante de todos, o rapaz foi morto de forma brutal. Seu coração foi arrancado — porque havia ousado dizer que ali era a morada do Cristo.
Anos depois, ao ouvir essa revelação de Emmanuel, Chico ficou momentaneamente cego, dentro do próprio quarto. Assustado, buscou compreender o que estava acontecendo. Foi quando viu o Espírito do jovem diante dele.
Do peito — onde faltava o coração — emanava uma luz tão intensa, tão dourada, tão pura, que iluminava não apenas o aposento, mas todo o quarteirão onde Chico morava.
E em pranto, Chico dizia:
— Esse foi o Espírito mais iluminado que já vi…
Porque ele teve o coração arrancado — e mesmo assim, Jesus permaneceu nele.
Ali era o altar.
Ali era o Cristo vivo.

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