SER ESPÍRITA *****

 Filhos, ser espírita é oportunidade de vivenciar o Evangelho em espírito

e verdade.

O seguidor da Doutrina é alguém que caminha sobre o mundo, mais consciente de seus erros que de seus acertos. Por este motivo - pela

impossibilidade de conformar os interesses do homem velho com os anseios do

homem novo, ele quase sempre deduz que professar a fé espírita não é tarefa

fácil.

Toda mudança de hábito, principalmente daquele que lhe esteja mais

arraigado, impõe à criatura encarnada sacrifícios inomináveis.

O rompimento com o "eu" é um parto laborioso, em que, não raro, sem

experimentar inúmeras recaídas, o espírito não vem à luz...

O importante é que não vos deixeis desalentar. Recordai que, para o

trabalho inicial do Evangelho, Jesus requisitou o concurso de doze homens e

não de doze anjos.

Talvez o problema maior para os companheiros de ideal que se

permitem desanimar, ante as fragilidades morais que evidenciam, seja o fato

de suporem ser o que ainda não o são.

Sem dúvida, os que vivem ignorando as próprias necessidades,

aparentemente vivem em maior serenidade de quantos delas já tomaram

consciência; não olvideis, contudo, que a aspiração do melhor é intrínseca à

sua natureza - o homem sempre há de querer ser mais...

Na condição, pois, de esclarecidos seguidores da Doutrina Espírita,

nunca espereis vos acomodar, desfrutando da paz ilusória dos que não se

aprofundam no conhecimento da Verdade que liberta.

Onde estiverdes, estareis sempre inquietos pelo amanhã.

A aflição que Jesus bem-aventurou, é aquela que experimenta quem se

põe a caminho e não descansa antes de concluir a jornada.

Filhos, apesar dos percalços externos e de vossos conflitos íntimos,

aceitai no Espiritismo a vossa melhor chance de redenção espiritual, e isto

desde o começo de vossas experiências reencarnatórias. Valorizai o ensejo

bendito e não culpeis a Doutrina pelas vossas mazelas.



BEZERRA DE MENEZES/CARLOS BACELLI

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