Tormenta ***

 

O céu apaga a luz do rútilo diadema.

Enquanto o Sol se põe na quebradas da serra,

A tempestade e a noite amortalham a Terra

Aos cantochões do vento içado a fúria extrema.

É a tormenta a fremir que, cruel, desalgema

O corisco mortal que fulmina e que aterra...

E o grito do trovão, nos ares, ruge e erra

Entre sombras hostis, sob a ira suprema.

E a Natureza clama, estala e chora, cheia

Da pavorosa dor que a vergasta e alanceia,

Mas, eis que a luta cessa e refaz-se a harmonia.

Assim também é a vida, em martírios da prova

Depois da treva imensa, eis que a luz se renova

E a esperança ressurge ao Sol de novo dia


Amaral Ornellas

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