A crítica que chega até nós pode ser examinada sem pressa. Nem toda palavra contrária merece abrigo, e nem toda palavra dura deve ser repelida antes de ser compreendida.
Na literatura mediúnica recebida por Chico Xavier, a vida moral aparece como trabalho de observação constante. O Espírito encarnado aprende não apenas com o afeto que o consola, mas também com a contrariedade que lhe mostra reações ainda pouco educadas. Uma acusação falsa pode revelar impaciência. Uma advertência justa pode revelar orgulho. Um comentário maldoso pode mostrar quanto ainda dependemos da aprovação alheia.
Quando a crítica traz verdade, mesmo envolta em forma áspera, cabe separar o conteúdo da agressão. A agressão pertence a quem a lançou. O conteúdo, se for útil, pode servir ao nosso reajuste. Não é submissão. É lucidez.
Quando a crítica nasce de inveja, ignorância ou desejo de ferir, não convém transformá-la em moradia mental. A consciência que conhece o próprio esforço não precisa explicar-se a cada ruído. Responder a tudo é gastar energia com quem, muitas vezes, não busca entendimento, apenas reação.
O Evangelho ensina vigilância sobre a palavra, mas também sobre a escuta. O que ouvimos pode nos melhorar ou nos perturbar, conforme o lugar íntimo onde permitimos que aquilo entre.
A opinião dos outros não deve governar a alma. Também não deve ser desprezada com arrogância. Entre a vaidade ofendida e a aceitação cega, há um ponto de equilíbrio: ouvir, examinar, aproveitar o que corrige e deixar passar o que apenas machuca.
A crítica verdadeira pede trabalho. A falsa pede serenidade. Em ambas, a criatura encontra ocasião de conhecer melhor a si mesma.

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