A partida de uma mãe não é só uma perda.
É um rasgo no meio da vida. Um antes e um depois que ninguém te avisa que vai doer desse jeito, tão fundo, tão diferente de qualquer outra dor que você já sentiu.
Porque quando uma mãe vai embora, vai junto a mulher que carregou você dentro do próprio corpo. A que te deu a vida sem te pedir nada em troca. A que ficou de pé nos dias em que ela mesma não tinha forças pra se sustentar. A que sabia o seu choro antes de você abrir a boca. A que rezava o seu nome em silêncio quando você nem sabia que precisava.
E de repente o telefone toca e o mundo para.
E você percebe que nenhuma despedida prepara a gente pra isso. Que nenhuma palavra chega perto do tamanho do buraco que fica. Que a casa dela continua cheirando a ela por um tempo, e isso é bom e dói ao mesmo tempo, e você não sabe o que fazer com esse sentimento que não tem nome certo.
Quem já perdeu a mãe sabe que a saudade não passa. Ela muda de forma. Ela aprende a morar junto com a gente, aparece no cheiro de uma comida, numa música tocando baixo, num dia frio, numa noite que você mais precisaria da voz dela.
E quem ainda tem a mãe por perto, lê esse texto e vai até ela agora. Não amanhã. Agora. Abraça com força, fala o que você sente sem orgulho e sem medo, porque existe uma certeza que a vida não negocia: nenhum amor te forma tanto, te enraíza tanto, te salva tanto quanto o amor da sua mãe.
Honra ela enquanto ainda dá tempo.

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